O dólar encerrou o dia em queda e a bolsa registrou recuo nesta quarta-feira, em um pregão dominado pela decisão do Federal Reserve (Fed) de manter os juros dos Estados Unidos inalterados, na faixa entre 3,50% e 3,75%. O mercado reagiu ao tom mais moderado adotado pelo presidente da instituição, Kevin Warsh, e à evidente divisão entre os dirigentes da autoridade monetária estadunidense. Em contrapartida, o preço do petróleo subiu cerca de 7%, impulsionado pelo agravamento das tensões no Oriente Médio.
Panorama dos Indicadores Financeiros
Os principais números do mercado refletiram as movimentações do dia. O dólar à vista fechou a R$ 5,108, com uma queda de 0,27%. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, atingiu 173.885 pontos, registrando um recuo de 1,52%. No setor de commodities, o Petróleo tipo Brent valorizou-se 7,32%, alcançando US$ 88,09 o barril, enquanto o Petróleo tipo WTI subiu 6,56%, cotado a US$ 84,46.
Câmbio: Dólar Perde Fôlego Pós-Fed
A moeda estadunidense manteve-se próxima da estabilidade durante a maior parte do dia, aguardando a deliberação do Fed. Após a confirmação da manutenção dos juros, o dólar perdeu força globalmente, ampliando as perdas durante a entrevista coletiva de Warsh. O presidente do Fed, embora tenha reiterado o compromisso com a meta de inflação de 2%, destacou sinais positivos para o comportamento dos preços, o que foi interpretado pelo mercado como um discurso menos ‘hawkish’. A decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), no entanto, foi dividida, com três membros votando por uma alta de 0,25 ponto percentual. Mesmo assim, o mercado continua precificando uma elevada probabilidade de aumento dos juros em futuras reuniões. O câmbio também foi favorecido pelo aumento do apetite por operações de carry trade, beneficiadas pela diferença de juros entre Brasil e Estados Unidos, e pela valorização do petróleo, que melhora o fluxo de recursos para o Brasil.
Bolsa Brasileira: Ibovespa Pressionado por Cenário Externo
O Ibovespa da B3 encerrou o pregão em queda, impulsionado principalmente pelo desempenho negativo das ações de bancos. O ambiente externo exerceu forte influência nos negócios; a divisão de opiniões dentro do Fed sobre a política monetária estadunidense e o aumento das tensões geopolíticas elevaram a aversão ao risco nos mercados globais. Em Nova York, o S&P 500 também fechou em baixa, refletindo a cautela dos investidores em relação a futuros aumentos de juros nos Estados Unidos. As ações da Petrobras, no entanto, amenizaram parte das perdas do Ibovespa ao acompanhar a disparada das cotações internacionais do petróleo, com os papéis ordinários subindo 2,35% e os preferenciais valorizando-se 1,92%.
Petróleo Dispara com Escalada de Conflitos
O preço do petróleo reverteu uma sequência de quedas e avançou mais de 7% após a retomada dos confrontos entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio. O barril do tipo Brent, referência para negociações internacionais, fechou em alta de 7,32%, a US$ 88,09. O petróleo WTI, do Texas, para setembro, subiu 6,56%, para US$ 84,46. O movimento foi impulsionado pela intensificação dos ataques envolvendo forças estadunidenses e grupos apoiados pelo Irã. As declarações do presidente Donald Trump sobre uma possível resposta militar e o risco de escalada do conflito em uma das principais regiões produtoras de petróleo do mundo também reforçaram a alta. Além disso, a queda dos estoques semanais de petróleo nos Estados Unidos, acima do esperado pelo mercado, contribuiu para o impulso nos preços.
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