A Missa Solene do Dia de Nossa Senhora Aparecida, no interior paulista, marcou-se por um forte apelo à pacificação, com a presença do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB). A cerimônia principal, liderada pelo arcebispo Dom Mário Antonio da Silva, ocorreu em um contexto de intensa polarização eleitoral, que elevou a padroeira do Brasil a um dos temas centrais do primeiro turno.
Dom Mário Antônio da Silva enfatizou a mensagem de união: “Jesus manda construir a paz, uma paz desarmada e desarmante. Mas muitas vezes alimentamos divisões com armamentos, guerras e tantos confrontos entre nós. O evangelho não nos autoriza a odiar quem pensa diferente e nem a matar os inimigos. O evangelho nos autoriza a construir pontes. A Igreja nasce, cresce e fortalece quando caminhamos juntos”.
Além de Alckmin e sua esposa, Lu Alckmin, a celebração contou com a participação de outras figuras políticas proeminentes, incluindo a deputada federal Tabata Amaral (PSB), o ex-prefeito de Recife João Campos (PSB), o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
A Tradição Política na Basílica de Aparecida
A presença de políticos na Basílica de Aparecida é uma tradição consolidada na política nacional, funcionando como um aceno direto ao eleitorado cristão. Historicamente, doações como a torre do relógio do templo, erguida nos anos 1960 pelo então presidente Juscelino Kubitschek, evidenciam essa ligação.
Embora Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que disputam o segundo turno, não tenham comparecido ao santuário neste ano, nomes como Alckmin e Kassab são presenças constantes. O ex-presidente Jair Bolsonaro também visitou o complexo religioso em diversas ocasiões nos últimos anos. Em disputas anteriores, candidatos de diferentes espectros políticos, como José Serra, Dilma Rousseff, Fernando Haddad e Ciro Gomes, incluíram Aparecida em suas rotas de campanha.
Em um esforço para fortalecer a campanha de reeleição de Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin intensificou sua agenda com o segmento religioso. Recentemente, ele participou de uma live da plenária “Povo de Deus com a Democracia” e de um evento na Casa do Povo, um centro cultural com histórico de abrigar judeus progressistas, que contou também com a Frente Evangélica pelo Estado de Direito.
Fé e Política: O Papel da Religião na <b>Polarização Eleitoral</b>
Um estudo da ONG More in Common Brasil e do Grupo de Pesquisa Passagens, da UFRJ, analisou 7.456 celebrações religiosas e detectou propaganda eleitoral em 3% delas nos domingos anteriores ao primeiro turno. Em contraste, conteúdos cívicos, que incentivam o voto consciente e o combate à polarização, foram cinco vezes mais frequentes, aparecendo em quase uma em cada seis missas e cultos.
Nossa Senhora Aparecida: Do Altar às <b>Redes Sociais</b> na Disputa Eleitoral
Neste ciclo eleitoral, a imagem da Padroeira do Brasil foi arrastada para uma guerra narrativa. A disseminação de informações sobre um projeto de lei arquivado que propunha a retirada do título de Nossa Senhora gerou controvérsia. A campanha petista explorou o tema, enquanto o PL negou envolvimento e acusou adversários de instrumentalizar a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que repudiou as declarações.
O episódio resultou em um “tsunami virtual“, com mais de 2,3 milhões de menções nas redes sociais, tornando-se um dos assuntos políticos mais debatidos. A intensidade da crise exigiu intervenções sucessivas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) para remover conteúdos considerados inverídicos, destacando a sensibilidade do tema religioso na disputa eleitoral.
Para mais análises e notícias aprofundadas sobre a interseção entre política, fé e sociedade em Mato Grosso e no Brasil, acompanhe o Portal MT Política.
Fonte: https://oglobo.globo.com