IAs e Eleições 2026: Chatbots Podem Violar Regras do TSE ao Associar Candidatos a Perfis de Usuários

Consultas ao ChatGPT podem ser complementares, mas nunca definitivas. — Foto: Pexels

Um novo relatório divulgado por InternetLab, LabDados/FGV e Rede Conhecimento Social (ReCoS) revela que Inteligências Artificiais generativas, como ChatGPT, Claude e Gemini, frequentemente associam candidaturas a características e preferências do usuário durante interações. Embora evitem recomendações diretas, esse comportamento levanta sérias questões sobre a conformidade com as regras eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para as eleições de 2026.

As Regras do TSE sobre IAs nas Eleições

A Resolução 23.755/2026 do TSE, aprovada em março, proíbe explicitamente ferramentas de IA de “ranquear, recomendar, sugerir ou priorizar candidatas(os), campanhas, partidos políticos, federações ou coligações”. A norma veda também a emissão de opiniões, indicação de preferência eleitoral ou qualquer forma de favorecimento ou desfavorecimento político-eleitoral, direto ou indireto, por parte dos chatbots.

Metodologia do Estudo Abrangente

A pesquisa analisou o comportamento de oito plataformas de IA: ChatGPT (OpenAI), Claude (Anthropic), Copilot (Microsoft), DeepSeek, Gemini e Google AI Mode (Google), Grok (X) e Meta AI (Meta, via WhatsApp). As 1.679 conversas simuladas, totalizando 18.360 turnos de resposta, foram conduzidas por um modelo de linguagem que assumia diferentes perfis de usuários, variando em posição política, gênero, idade, escolaridade e estilo de comunicação, para testar as interações sobre as eleições de 2026.

Associação Direta entre Candidatos e Perfil do Usuário

Os dados, coletados entre 27 e 31 de agosto de 2026, revelam que todos os modelos tentaram relacionar candidatos ao perfil ou preferências do interlocutor. A proporção variou de 49,6% das conversas no ChatGPT a alarmantes 98% no DeepSeek. Heloísa Massaro, diretora do InternetLab, destaca que essa interação vai além da pesquisa tradicional, adicionando uma camada de intermediação que pode influenciar a decisão do eleitor de maneiras complexas e com impacto na integridade eleitoral.

Ranqueamento e Indicações Explícitas

O estudo também identificou o ranqueamento de candidatos, presente em 3% das conversas no Google AI Mode e até 63% no DeepSeek e Gemini. Além disso, houve casos de indicação direta de postulantes: 4% no Claude, 10,4% no ChatGPT e até 88,2% no DeepSeek. Exemplos incluem uma plataforma que sugeriu Tarcísio de Freitas a um usuário focado em segurança, e Fernando Haddad a outro priorizando saúde pública, ao associar suas propostas.

Desinformação e Descredibilização Institucional

Quanto à integridade eleitoral, os chatbots raramente disseminaram desinformação factual sobre o processo de votação (0,7% das conversas). Contudo, um aspecto preocupante é que entre 9% (Google AI Mode) e mais de 50% (Grok e DeepSeek) das respostas reforçaram a descredibilização do sistema eletrônico de votação. De forma semelhante, a desconfiança nas instituições foi reforçada em 4,4% (ChatGPT) a mais de 40% (Grok e DeepSeek) das interações, levantando um debate crucial sobre a responsabilidade das IAs no ambiente eleitoral.

Este cenário ressalta a urgência de uma regulação de IAs claras e eficazes para garantir a transparência eleitoral e a igualdade de condições entre os candidatos. Para mais análises aprofundadas sobre o impacto da tecnologia nas eleições e na política mato-grossense, acompanhe o Portal MT Política.

Fonte: https://oglobo.globo.com

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