O Paraná marca um capítulo notável na política nacional com a eleição de Fernando Francischini (PL) para a Câmara Federal, o primeiro parlamentar a ser cassado por fake news no país. Sua volta ao Congresso é acompanhada por uma ascensão familiar, com membros de sua família também conquistando ou mantendo mandatos.
A Dinastia <b>Francischini</b>: Um Grupo Político Consolidado
Com 53.207 votos, Fernando Francischini assegurou seu retorno à Câmara dos Deputados. Ele se junta ao seu filho, o deputado federal Felipe Francischini (Podemos), reeleito com 106.907 votos. A presença familiar no cenário político paranaense se estende com a reeleição de sua esposa, Flávia Francischini (PL), para a Assembleia Legislativa, e a eleição de Lu Bonatto (Podemos), mãe de Felipe, que fará sua estreia em 2027 na mesma casa estadual. Durante a campanha, Fernando e Flávia impulsionaram-se em dobradinha, enquanto Felipe fez campanha com Lu Bonatto.
O Histórico da <b>Cassação por Fake News</b> e o Novo Cenário
Em 2021, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou o então deputado estadual Fernando Francischini por propagar informações falsas sobre fraudes nas urnas eletrônicas e no sistema de votação durante uma live no dia das eleições de 2018. Essa foi a primeira condenação por fake news na Corte eleitoral, fundamentada no argumento de que ele atentou contra o sistema eleitoral brasileiro e induziu milhões de eleitores ao erro. Embora o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) o tenha absolvido inicialmente, o Ministério Público Eleitoral (MPE) recorreu, e o TSE reformou a decisão.
O Precedente no Caso <b>Bolsonaro</b> e a Reversão da Inelegibilidade
O caso de Francischini serviu como precedente para o MPE se manifestar pela inelegibilidade de Jair Bolsonaro, que também disseminou informações falsas sobre o sistema eleitoral. Contudo, Fernando Francischini, que havia ficado inelegível, pôde concorrer novamente após alterações na legislação realizadas pelo Congresso Nacional, demonstrando a dinâmica das regras eleitorais no país.
Alianças Políticas e Tensões Partidárias
A família Francischini rompeu com o grupo político alinhado ao governador Ratinho Júnior (PSD) para fortalecer as fileiras bolsonaristas no Paraná, aliando-se a Sergio Moro (PL), que foi eleito governador. Na Assembleia, Moro poderá contar com o apoio da madrasta e da mãe de Felipe na base governista.
A Mágoa de <b>Valdemar da Costa Neto</b> e o Financiamento de Campanha
A campanha de Fernando Francischini foi majoritariamente financiada com recursos próprios, totalizando R$ 107 mil, e doações, sem receber verbas do fundo eleitoral do PL. Integrantes da sigla atribuíram essa decisão do presidente Valdemar da Costa Neto a uma mágoa antiga. Em 2011, Francischini, como relator do processo contra Valdemar no Conselho de Ética da Câmara, votou pela cassação do mandato do então deputado, um episódio que deixou marcas. Apesar disso, Francischini manteve sua narrativa de ter sido “calado” pelo sistema, atribuindo perseguição ao governo federal e ao Judiciário.
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Fonte: https://oglobo.globo.com