Alckmin e Haddad Cobram Esclarecimentos sobre Conexão de Campos Neto com Caso Banco Master na Paulista

O ex-ministro da Fazenda e candidato a governador Fernando Haddad, em entrevista sob o MASP na av...

Em um comício na Avenida Paulista, Fernando Haddad (PT) e Geraldo Alckmin (PSB) intensificaram as críticas sobre a menção do nome de Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, no inquérito do Banco Master. As recentes revelações de depoimentos de servidores reacendem o debate sobre o envolvimento de figuras políticas e econômicas com o escândalo protagonizado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Os aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva buscam ligar o economista, indicado ao cargo por Jair Bolsonaro (PL), ao caso.

Alckmin destacou a cronologia dos fatos, afirmando que o Banco Master foi criado no governo Bolsonaro, e que Vorcaro foi preso por “roubalheira e corrupção” na atual gestão. Ele ressaltou que agora cabe ao Judiciário aprofundar as investigações. A campanha petista avalia que a ligação de Campos Neto, apesar de não ser candidato ou filiado, é estratégica para conectar Flávio Bolsonaro (PL) a Vorcaro, visto que Campos Neto foi nomeado por Jair Bolsonaro para liderar a principal autoridade financeira do país.

Detalhes das Revelações no Inquérito do <b>Banco Master</b>

O nome de Roberto Campos Neto surgiu em inquéritos tornados públicos, onde servidores do Banco Central, supostamente aliciados por Vorcaro, o mencionam. Paulo Sérgio Neves de Souza, chefe do Departamento de Supervisão Bancária do BC com conexões a Vorcaro, declarou que Campos Neto teve conhecimento, já em 2024, de operações suspeitas do Banco Master. A instituição teria utilizado um fundo para alavancar sua liquidez artificialmente e captar recursos cobertos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Contudo, a comunicação oficial ao Ministério Público Federal (MPF) sobre essas irregularidades só ocorreu em outubro de 2025.

As Cobranças de <b>Fernando Haddad</b>

Fernando Haddad, que era ministro na época dos fatos, afirmou ter sido informado sobre os problemas do Banco Master após o término do mandato de Campos Neto e a posse de Gabriel Galípolo. Ele relatou que diversos atores do mercado financeiro alertaram o então presidente do Banco Central sobre as atividades “no mínimo estranhas” do Master por mais de um ano, exigindo uma investigação rigorosa. Segundo Haddad, esses alertas foram ignorados, e a informação não foi clandestina, mas comunicada em audiência formal.

O ex-ministro lamentou que Campos Neto ainda não tenha sido convocado para um depoimento aprofundado no caso, mesmo com parte dessas informações já circulando antes do levantamento do sigilo do inquérito, determinado pelo ministro Edson Fachin do STF. Haddad reiterou que, durante o ano de 2024, o Banco Central recebeu alertas oficiais do FGC e de importantes players do mercado, mas estes foram desconsiderados.

Discursos e Busca por Transparência

Após falarem rapidamente com a imprensa, Haddad e Alckmin dirigiram-se a uma concentração de apoiadores na Paulista, onde o escândalo do Banco Master foi o tema central. Haddad enfatizou a luta por transparência, afirmando que, após “muita briga”, conseguiram levantar o sigilo de parte das “falcatruas” de Vorcaro. Ele defendeu que a sociedade deve continuar a buscar a revelação completa dos atos ilícitos e das pessoas envolvidas, para evitar que tudo seja “colocado para debaixo do tapete”.

A Omisssão do Nome de <b>Alexandre de Moraes</b>

Um ponto notável nos discursos de Haddad e Alckmin foi a omissão do nome de Alexandre de Moraes. O ministro, relator do inquérito que condenou Jair Bolsonaro, foi posteriormente implicado no inquérito de Vorcaro, quando o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, firmou contrato com o Banco Master. Relatórios da Polícia Federal, revelados pelo ministro André Mendonça, indicam troca de mensagens entre Moraes e Vorcaro. Jornalistas questionaram Haddad sobre a preocupação de candidatos de direita utilizarem Moraes para vincular a esquerda ao caso Master, evidenciando a complexidade das interconexões políticas e judiciais no escândalo.

Fonte: https://oglobo.globo.com

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