Com duas propostas de delação premiada previamente rejeitadas e cinco meses de prisão, o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, intensifica sua estratégia jurídica. Ele determinou que sua equipe de defesa realize uma nova devassa em arquivos e documentos, visando apresentar uma terceira versão de colaboração à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR).
Ampliação da Equipe e a Busca por <b>Provas Inéditas</b>
A banca de advogados de Vorcaro foi significativamente ampliada, incorporando especialistas em direito criminal, empresarial e financeiro. A mais recente adição é o criminalista Daniel Bialski, cuja missão é desfazer a impressão das tentativas anteriores, quando os investigadores perceberam pouca disposição para auxiliar efetivamente nas apurações. A ordem é buscar mensagens, e-mails, contratos e rastrear dispositivos como pen drives, HDs e telefones, à procura de novas provas que corroborem investigações em andamento ou abram frentes inéditas. Um braço defensivo dessa tática visa comprovar que os fundos do Banco Master não eram inflados por ativos podres, tese sustentada pela investigação da Operação Compliance Zero.
O Papel de Daniel Bialski e a Urgência da Delação
Daniel Bialski solicitou uma audiência com o ministro André Mendonça, relator do caso Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF). A defesa almeja obter maior tempo de contato diário com Vorcaro, considerando que a rotina atual na Papudinha, de uma hora de visita, é insuficiente para a complexidade dos processos. A intenção é destravar a tentativa de delação ainda neste mês, buscando minimizar a influência do calendário eleitoral, com Bialski afirmando publicamente que o banqueiro “quer falar e colaborar”.
Rejeições Anteriores e a Percepção dos Investigadores
As duas propostas de delação apresentadas anteriormente pela defesa de Vorcaro, inicialmente por José Luis Oliveira Lima (Juca) e depois por Sergio Leonardo, foram rejeitadas pela Polícia Federal e pela PGR. O principal motivo foi a ausência de novos elementos de prova. Segundo a percepção dos investigadores, o banqueiro não demonstrava disposição para cooperar e possuía poucas condições de corroborar seus relatos com documentos, especialmente após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central. Os anexos entregues, na visão das autoridades, não apresentavam fatos suficientemente inéditos.
Contexto Jurídico e a Relação com o <b>STF</b>
Na busca por uma saída jurídica, Daniel Vorcaro recebeu diversos advogados, incluindo Cézar Bittencourt, conhecido por ter atuado na delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid. A presença de Bittencourt pode indicar uma busca por aconselhamento na complexa relação com o STF, que já resultou na saída de um advogado anterior, Juca, após desentendimento com o ministro Mendonça. Integrantes do círculo próximo ao banqueiro relatam que ele está “hiperfocado” em responder às suspeitas de ser o chefe do esquema de fraudes financeiras, demonstrando abatimento e desconfiança com a postura da PF e da PGR.
A Rotina de Daniel Vorcaro na Prisão
Atualmente, Daniel Vorcaro está instalado em uma cela de 65 metros quadrados na Papudinha, em Brasília, usufruindo de um televisor com acesso a canais abertos e acomodações que incluem banheiro com box, chuveiro, cozinha, lavanderia, quarto e sala. Uma de suas preocupações é a possibilidade de o ex-presidente Bolsonaro perder o direito à prisão domiciliar, o que poderia resultar no seu retorno à cela atualmente ocupada pelo banqueiro.
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Fonte: https://oglobo.globo.com