O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realizou encontros estratégicos com lideranças do Republicanos e do Podemos em Brasília, às vésperas de ambos os partidos declararem neutralidade no pleito nacional. Essa movimentação representa um revés significativo para Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que buscava formar aliança com as siglas. As reuniões, ocorridas separadamente na segunda-feira, culminaram na oficialização da neutralidade pelos partidos na terça-feira, marcando uma vitória para os governistas.
A Articulação com o <b>Republicanos</b>
Na manhã de segunda-feira, Lula se reuniu com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), acompanhado por Edinho Silva (PT) e o ministro José Guimarães (Secretaria de Relações Institucionais). Embora neguem que o objetivo fosse discutir apoio direto à reeleição de Motta na presidência da Câmara a partir de 2027, aliados reconhecem que a costura da neutralidade, favorável a Lula, passou por suas mãos, sinalizando possíveis retribuições. O presidente do partido, Marcos Pereira, apesar de negar sua presença, afirmou publicamente que, a despeito da neutralidade da sigla, ele pessoalmente apoiaria a campanha de Flávio Bolsonaro, com o partido apenas não cedendo tempo de televisão.
O Encontro com o <b>Podemos</b>
No mesmo dia, Lula também dialogou com a presidente nacional do Podemos, a deputada federal Renata Abreu (SP). Relatos indicam que o encontro foi positivo, e a dirigente partidária informou que a sigla adotaria a neutralidade na disputa nacional. Nenhum dos envolvidos (Renata Abreu, Edinho Silva, José Guimarães, Secom) respondeu aos pedidos de comentário.
Estratégia para um Possível <b>Segundo Turno</b>
Durante as conversas, o presidente da República expressou o desejo de novas rodadas de diálogo com as siglas em um eventual segundo turno, pedindo que os partidos não tomassem decisões precipitadas sobre futuros apoios. Essa sinalização foi interpretada por interlocutores como uma abertura para discutir a participação dessas legendas em um possível governo Lula 4.
O Papel dos Articuladores Petistas
Os encontros com Lula foram precedidos por semanas de articulação de interlocutores próximos ao presidente, como José Guimarães e Edinho Silva, junto aos partidos da centro-direita. A atuação desses petistas foi crucial para garantir a neutralidade do Republicanos e do Podemos, um grande revés para Flávio Bolsonaro. O senador, em isolamento, chegou a oferecer a vice em sua chapa a diversas siglas como Republicanos, PP, União Brasil e Podemos, mas sem sucesso, anunciando posteriormente o deputado bolsonarista Alfredo Gaspar (PL-AL) como seu companheiro de chapa. A proximidade de Edinho e Guimarães com nomes do Centrão no Congresso facilitou esse processo, com menções a líderes como Doutor Luizinho (PP-RJ) e Pedro Lucas (União Brasil-MA), e a atuação do ex-ministro Silvio Costa Filho (PE) junto ao Republicanos.
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Fonte: https://oglobo.globo.com