Dor Transforma em Luta: Viúva de Gari Assassinado por Empresário em BH Concorre a Deputada Federal

Liliane França da Silva, viúva do gari Laudemir Fernandes, morto em Belo Horizonte — Foto: Re...

Liliane França da Silva, viúva do gari Laudemir de Souza Fernandes, brutalmente morto a tiros em agosto do ano passado em Belo Horizonte (MG), oficializou sua candidatura a deputada federal pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT). Reconhecida nas urnas como “Lili do Gari”, Liliane, 45 anos e natural de Betim (MG), possui ensino médio completo e atuava como técnica de higiene bucal antes da tragédia.

Em uma emocionante postagem no Instagram, que marcou a oficialização de sua candidatura, Liliane revelou que a perda de seu marido após uma suposta briga de trânsito a fez compreender profundamente o “valor de quem acorda cedo todos os dias para sustentar sua família e ajudar a construir um país melhor”. Dessa profunda dor, nasceu o propósito político que a impulsiona.

Ela enfatiza que sua candidatura visa ser a “voz de quem trabalha, de quem enfrenta longas jornadas, de quem acredita que o esforço merece respeito, dignidade e oportunidades”. A viúva se propõe a defender os direitos dos trabalhadores, valorizar os profissionais que impulsionam o Brasil e lutar por melhores condições de trabalho, saúde, educação e segurança para todas as famílias brasileiras.

Liliane assegura que sua entrada na política não é motivada por interesses pessoais. Sua convicção reside na crença de que a dor pode ser um catalisador para a força, e que a experiência de vida pode se transformar em um compromisso social inabalável com aqueles que mais necessitam.

<b>Detalhes do Homicídio</b> e a <b>Justiça</b>

O trágico incidente que ceifou a vida de Laudemir completará um ano em agosto. A investigação apurou que o gari foi alvejado em 13 de agosto do ano passado, após uma discussão de trânsito com o empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, no bairro Vista Alegre, em Belo Horizonte (MG). Renê efetuou os disparos após o confronto.

Na ocasião, Eledias Aparecida Rodrigues, o motorista do caminhão que acompanhava Laudemir, forneceu um depoimento crucial. Ele negou que a fatalidade tenha ocorrido durante uma briga de trânsito, descrevendo o empresário como “apressado”, “frio o tempo inteiro” e afirmando que Renê proferiu ameaças antes de abrir fogo contra a vítima.

A delegada de polícia Ana Paula Lamego Balbino, esposa do empresário, também foi investigada. Houve suspeitas de que ela poderia ter facilitado o acesso do marido à arma utilizada no crime. Em sua defesa, Renê alegou ter pego a pistola sem o conhecimento da esposa. Desde dois dias após o assassinato de Laudemir, Ana Paula está afastada da Polícia Civil de Minas Gerais, permanecendo licenciada por motivos de saúde.

Em junho deste ano, a 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) negou um novo pedido de habeas corpus da defesa de Renê. A solicitação havia sido encaminhada ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para uma nova análise. No entanto, o TJMG manteve a decisão de fevereiro, que determina a manutenção do acusado preso enquanto o processo judicial está em andamento.

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Fonte: https://oglobo.globo.com

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