A 4ª edição da **Parada LGBTQIA+** na Lapa, **Rio de Janeiro**, celebrou o **Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+** sob o tema “Nosso Orgulho Também se Defende nas Urnas”. O evento, realizado nos **Arcos da Lapa**, não apenas promoveu a celebração, mas também serviu como um espaço crucial de mobilização social. Seu principal objetivo foi o fortalecimento da **comunidade LGBTQIA+** e o enfrentamento às violências históricas. Durante o ato, um **manifesto** foi lançado, incentivando a eleição de **mais representantes da população LGBT** para o **Congresso Nacional**, sublinhando a importância do **voto** em um **ano eleitoral**.
A Voz da Comunidade nas Urnas
Indianarae Siqueira, fundadora da Casa Nem, enfatizou a necessidade de eleger parlamentares que genuinamente compreendam as **demandas da comunidade LGBTQIA+**. Ela defendeu a escolha de representantes comprometidos com a **democracia**, os **direitos sociais** e a vida do povo, em oposição àqueles que priorizam interesses alheios às necessidades da **classe trabalhadora**. A luta também abrange uma vida digna, o fim da escala de trabalho 6×1, um **salário mínimo digno** de R$ 2 mil ainda este ano e **condições justas** para trabalhadores autônomos e informais. O **manifesto** estende suas reivindicações à **empregabilidade trans**, **educação** e **saúde pública** de qualidade, **políticas públicas** humanizadas e acesso universal aos **direitos básicos**.
Enfrentamento à Violência e Lacunas Legais
Os coletivos que assinaram o documento clamam por segurança para mulheres, pessoas negras, periféricas e **LGBTQIA+**, buscando que essas comunidades sejam vistas como parte da solução na segurança, e não como problemas ou réus, dada a histórica vitimização pela **violência**. Indianarae Siqueira garantiu que os eleitores **LGBTQIA+** comparecerão às urnas em outubro para defender a **democracia** e se opor a golpistas, declarando: “Nossos corpos são políticos, nosso **voto** é resistência”. Marcio Villard, coordenador do Grupo Pela Vidda do **Rio de Janeiro**, ressaltou a ausência de **legislação** específica aprovada pelo **Legislativo** para garantir os **direitos dessa população**. As garantias existentes dependem de decisões judiciais, como as do **Supremo Tribunal Federal (STF)**, citando a equiparação da **LGBTI+fobia** ao crime de racismo em 2019, que, na prática, “não funciona” plenamente.
Desafios e Retrocessos
Villard alertou sobre o **aumento anual de assassinatos e casos de violência** contra pessoas LGBTs, frequentemente **subnotificados** pelas autoridades policiais, o que gera uma percepção equivocada de que tais crimes não ocorrem. Ele também mencionou **retrocessos recentes**, como a proibição de terapia hormonal antes dos 21 anos e tentativas de impedir a realização das **paradas em vias públicas** e a participação de crianças e adolescentes. Tais ações desconsideram a realidade de famílias LGBTs com filhos e o direito de manifestação inerente a uma **democracia**.
Mobilização e Atividades da Parada
A **4ª Parada LGBTQIA+** foi fruto da organização de diversos **movimentos sociais**, incluindo CasaNem, Grupo Transrevolução, Fórum Estadual de Travestis e Transexuais do Rio de Janeiro (Fórum TT RJ), Marcha Trans RJ, Liga Transmasculina Carioca João W. Nery, coletivos trans de universidades (UFF, UFRJ, UERJ), e outras importantes associações. As atividades começaram com um festival de pipas no Aterro do Flamengo, seguido por um piquenique do Orgulho, Amor e Direitos. Além disso, foram oferecidos testes rápidos de HIV e **ISTs**, distribuição de camisinhas e gel lubrificante, e espaços de incentivo ao **empreendedorismo**.
Para se manter informado sobre **política** e **direitos sociais** que impactam o Brasil, acesse o **Portal MT Política**.