Juros Altos e Spread Bancário Pressionam Famílias: O Lançamento do Novo Desenrola

© Tomaz Silva/Agência Brasil

A **elevada taxa básica de juros** – a **taxa Selic** – praticada no Brasil, aliada aos **altos spreads bancários** aplicados pelas instituições financeiras, tem impulsionado o crescente **endividamento das famílias**. Este cenário levou o governo a lançar o programa **Novo Desenrola** como uma medida de alívio.

Juros Altos e o Cenário Econômico

O **spread bancário**, que representa a diferença entre os juros pagos e os cobrados pelos bancos, alcançou 34,6 pontos percentuais (p.p.) em março. Esse valor contrasta drasticamente com a média global de 6 p.p. calculada pelo **Banco Mundial**. Segundo a professora Maria Lourdes Mollo (UnB), a **taxa Selic** mais elevada, definida pelo **Banco Central (BC)**, impacta diretamente os juros praticados pelos bancos sobre as famílias. Ela ressalta que esses **juros dos empréstimos** excessivamente altos dificultam o funcionamento da economia.

Agravantes e Comparativo Internacional

A **precarização dos empregos** no Brasil é citada como um fator agravante, levando muitos a se endividarem para cobrir despesas básicas. O Brasil possui a segunda maior **taxa básica de juros reais** do mundo, descontada a inflação, atingindo 9,3%, ficando apenas atrás da Rússia. Embora o **Comitê de Política Monetária (Copom)** do **Banco Central (BC)** tenha reduzido a **taxa Selic** para 14,5% na última reunião, o patamar ainda é considerado elevado e questionado por críticos, apesar da justificativa do BC para controle inflacionário.

Panorama do Endividamento e Inadimplência

Pelo quarto mês consecutivo, o total de **famílias com dívidas** no Brasil cresceu, alcançando uma ‘nova máxima histórica’ de 80% em abril, conforme pesquisa da **Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC)**. O número de **famílias inadimplentes**, com contas em atraso, manteve-se estável em 29,7%. A **CNC** destaca que as famílias com renda de até três salários mínimos são as mais afetadas, registrando 83,6% de **endividamento** e 38,2% de contas em atraso.

O Brasil no Topo dos Spreads Bancários Mundiais

A professora Juliane Furno (UFF) aponta as **altíssimas taxas do spread bancário** como principal explicação para o **endividamento das famílias** brasileiras. O Brasil lidera o ranking da **World Open Data** de 2024 como o país com os maiores spreads do planeta. Enquanto os bancos justificam esses valores pelo alto risco de **inadimplência**, Furno argumenta que a **inadimplência** pode ser uma consequência dos juros já elevados. Dados do **Banco Central (BC)** de março revelam que as taxas médias de juros cobradas das pessoas físicas foram de 61% ao ano, em contraste com 24% para empresas.

Maria Mello de Malta (UFRJ) explica que a posição do Brasil com a segunda maior **taxa básica de juros** do mundo faz com que todas as outras taxas bancárias para a população sejam elevadas. Essa situação gera uma ‘bola de neve’, com as famílias trabalhadoras buscando novas fontes de crédito para quitar dívidas anteriores, levando a um **endividamento** progressivo. Os **juros mais altos** praticados no Brasil são os do rotativo do **cartão de crédito**, que podem ultrapassar 400% ao ano.

O Novo Desenrola Brasil: Um Alívio para as Dívidas

Em resposta a este cenário desafiador, o governo federal lançou o **Novo Desenrola Brasil**. O programa visa auxiliar **famílias**, estudantes e pequenos empreendedores a **renegociar dívidas**, **limpar o nome** e recuperar o **acesso ao crédito**, buscando aliviar a pressão financeira e potencialmente estimular a economia.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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