Estratégia nos Bastidores: Haddad Busca Minar Tarcísio com Agendas Reservadas no Interior de São Paulo

Fernando Haddad e o presidente do PT, Edinho Silva, em Congresso do PT em Brasília — Foto: Cri...

O pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), tem promovido encontros confidenciais com prefeitos de partidos que integram a base aliada do atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Essas reuniões, realizadas discretamente fora da agenda oficial, visam aproximar a campanha de gestores municipais e seus representantes, especialmente em municípios de menor porte, buscando desestabilizar os palanques do adversário.

A Tática dos Encontros Sigilosos

Os compromissos de Haddad foram confirmados em locais como o Vale do Paraíba, São José dos Campos, Avaré, e regiões próximas a Catanduva e São José do Rio Preto. Segundo o petista, os prefeitos expressam “descontentamento” com a atual administração, mas receiam “retaliações” caso manifestem apoio explícito. A deputada estadual Beth Sahão (PT) organiza esses encontros no noroeste paulista, buscando um “espaço de convivência cuidadoso”.

A equipe de Haddad admite a pouca probabilidade de conseguir apoios explícitos desses gestores, dada a base eleitoral mais conservadora em algumas regiões e o desconforto com o governador. Contudo, a estratégia permite coletar informações valiosas para o embate contra Tarcísio. Pontos-chave identificados nessas conversas incluem a alegada “ausência de um plano de desenvolvimento regional” e críticas ao processo de privatização da Sabesp.

A Reação da Campanha de Tarcísio

A campanha de Tarcísio já identificou a movimentação do adversário. Aliados minimizam o impacto, argumentando que os convites foram aceitos principalmente por prefeituras de “menor porte” e que a participação visa mais “preservar a relação” com parlamentares estaduais e o governo federal do que indicar uma preferência pelo candidato do PT. Outro auxiliar do Republicanos descreve a situação como “sob controle”.

A administração estadual atribui as críticas a uma mudança de foco do governo, que estaria menos comprometido com a “política de paróquia” e mais voltado para obras de relevância e repasses menos flexíveis. Alega-se que o fortalecimento do caixa em projetos específicos, como saúde, impede que os gestores municipais se apresentem como “donos” dos recursos. As frequentes caravanas de Tarcísio pelo interior, com entregas e a presença de secretários, teriam apaziguado os ânimos.

O Campo de Batalha: A Disputa pelo Interior

Haddad, que lançou sua candidatura no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, busca ganhar terreno no interior de São Paulo. Essa estratégia é inversa à de Tarcísio, que concentra esforços na capital e arredores. Haddad tem se aproximado de polos regionais como Sorocaba, Araraquara, São Carlos e Bauru, além de cidades menos populosas como Jales, Fernandópolis e Votuporanga, frequentemente utilizando instituições de ensino técnico e superior como plataforma para suas agendas.

A deputada Beth Sahão reforça que a ofensiva do PT é impulsionada pela percepção de um “descontentamento enorme” no interior, especialmente em municípios com menos de 50 mil habitantes. Ela acusa o governo de “abandonar os municípios durante três anos e meio” antes de “distribuir migalhas” em caravanas. Em contrapartida, a gestão atual destaca que os repasses municipais atingiram níveis recordes durante o mandato.

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Fonte: https://oglobo.globo.com

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