Eleições 2024: Educação e Cidadania São Prioridades nas Favelas do Rio

© Tomaz Silva/Agência Brasil

Com 12,8 milhões de eleitores aptos no Rio de Janeiro, um contingente de 2,1 milhões reside em uma das 1.724 favelas fluminenses, conforme o Censo Demográfico de 2022 do IBGE. Esses dados revelam uma persistente desigualdade no acesso a serviços e políticas públicas essenciais, evidenciando a necessidade de maior presença estatal. Na capital, por exemplo, 1,3 milhão de pessoas vivem em 813 favelas, áreas que, apesar de diversas, compartilham desafios como a precariedade de saneamento básico, conforme explica Eblin Farage, professora da UFRJ e coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Favelas e Espaços Populares (NEPFE).

Demandas Essenciais nas Comunidades Cariocas

À medida que as eleições se aproximam, moradores das favelas cariocas, em diálogo com a Agência Brasil, expressam suas demandas prioritárias. Entre elas, destacam-se a melhoria da mobilidade, acesso a educação de qualidade, incentivo à cultura e lazer, aprimoramento da saúde e fomento à participação social. A segurança, apesar de ser uma preocupação constante devido à violência e às operações policiais, é vista como reflexo da ausência de ações efetivas em outras áreas.

A Voz da Juventude: Letícia Vitória Guimarães

Letícia Vitória Guimarães, uma jovem de 16 anos do Complexo do Alemão, exercerá seu direito ao voto pela primeira vez em outubro. Engajada em iniciativas comunitárias como os coletivos Criar e Mulheres em Ação, ela busca candidatos que demonstrem envolvimento com pautas negras, direitos humanos e que sejam capazes de dialogar genuinamente com a população. A jovem, que integra o Conselho Estadual da Criança e do Adolescente e é bolsista da PUC-Rio, enfatiza a importância de governantes dispostos a ouvir as necessidades reais das comunidades, em vez de apresentar respostas pré-formatadas.

Para Letícia, a mobilidade urbana é uma prioridade crucial. Ela aponta a dificuldade de acesso à cidade para moradores de áreas periféricas, citando a ausência de linhas de ônibus diretas entre o Alemão e a Zona Sul, o que restringe tanto o acesso ao lazer, como ir à praia, quanto as oportunidades de emprego. Ela critica programas como o Jovem Aprendiz por não cobrirem adequadamente os custos de deslocamento e alimentação, inviabilizando a participação de muitos jovens.

Desafios no Mercado de Trabalho: Isabelle Rodrigues Trindade

Da Rocinha, a maior favela do Brasil com 72 mil habitantes, a jornalista Isabelle Rodrigues Trindade, de 26 anos, destaca a escassez de oportunidades profissionais. Mesmo formada pela PUC-Rio e com experiência no portal Fala Roça, ela atua como agente cultural em um bairro vizinho, evidenciando as barreiras para se inserir na área de formação. Moradores de favelas, segundo Isabelle, monitoram de perto as propostas para emprego e renda, com a extinção da escala de trabalho 6×1 figurando como uma prioridade.

A jornalista ressalta que a rotina 6×1 é incompatível com a conciliação de trabalho, família e estudo, especialmente para quem enfrenta longos deslocamentos. Essa jornada de trabalho, avalia Isabelle, priva a juventude do tempo necessário para qualificação profissional e lazer, impactando diretamente seu desenvolvimento.

Educação: A Base para o Futuro e a Inclusão

João, um jovem de 26 anos, pai de duas meninas e morador de uma grande favela da zona norte, baseia seu voto na oferta de mais cursos técnicos e profissionalizantes, além de projetos esportivos. Ele critica a interrupção precoce de iniciativas de capacitação, que impedem a conclusão dos estudos. João manifesta o desejo de continuar estudando para aprimorar seu português e almejar uma vida melhor, mesmo com as dificuldades de conciliar trabalho e aprendizado. Sua pauta inclui também a necessidade de propostas para crianças com deficiência e autismo, clamando por creches equipadas com mais mediadores nas salas, visando a uma educação verdadeiramente inclusiva.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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