Descoberta Inédita: Pterossauro do Cretáceo Preserva Tecidos e Esteroides por 113 Milhões de Anos na Bacia do Araripe

Agência Brasil

Um novo mecanismo global de fossilização, capaz de preservar tecidos moles e até esteroides – moléculas orgânicas extremamente frágeis –, foi identificado em um pterossauro do período Cretáceo. O espécime, descoberto na Formação Romualdo, na Bacia do Araripe (CE), manteve sua estrutura por impressionantes 113 milhões de anos, revelando detalhes sem precedentes para a ciência.

O Mecanismo Inédito de Preservação: Papel Crucial das Bactérias

O estudo, que envolveu avançadas análises de geoquímica, microscopia e tomografia 3D, demonstrou que bactérias oxidantes de enxofre desempenharam um papel decisivo na rápida mineralização do fóssil. Este processo ocorre em um “efeito dominó”, onde a decomposição inicial do animal cria microambientes químicos propícios para micróbios específicos. Estes microrganismos desencadeiam uma sequência de precipitações minerais, selando o fóssil antes que tecidos e biomoléculas se degradem completamente.

A Bacia do Araripe: Um Tesouro Paleontológico Global

A preservação extraordinária deste pterossauro ressalta a importância da Bacia do Araripe como um dos sítios fossilíferos mais significativos do planeta. O paleontólogo Alexander Kellner, do Museu Nacional/UFRJ, destaca o acesso a um nível de detalhe impressionante após mais de 100 milhões de anos. O professor Antônio Álamo Feitosa Saraiva, da Universidade Regional do Cariri (URCA), avalia que a descoberta “muda nossa compreensão sobre como fósseis excepcionais se formam”, reforçando a importância científica e patrimonial da região.

Detalhes do Fóssil e dos Pterossauros

Este fóssil é uma verdadeira “cápsula do tempo”, não apenas pela sua preservação, mas pela detecção inédita de esteroides, fornecendo evidências de que essas criaturas provavelmente se alimentavam de peixes ou lulas. O exemplar representa um indivíduo do grupo Anhangueridae, com uma abertura alar de aproximadamente 8 metros. Os pterossauros, répteis voadores que viveram ao lado dos dinossauros, foram os primeiros vertebrados a dominar o voo motorizado, com algumas espécies atingindo envergaduras acima de 10 metros.

Colaboração Internacional Impulsiona a Fronteira do Conhecimento

O trabalho reuniu especialistas de 15 instituições internacionais, incluindo pesquisadores do Brasil (Museu Nacional/UFRJ e URCA), Austrália (Universidade Curtin), Alemanha e Estados Unidos. A publicação na revista iScience e o fortalecimento de parcerias como a do INCT Paleovert (financiado pelo CNPq) demonstram a capacidade de atuar na fronteira do conhecimento sobre organismos que habitaram nosso planeta há milhões de anos.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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