Os bancários da Caixa Econômica Federal rejeitaram a última proposta apresentada pela instituição e decidiram manter a greve nacional, que se estende por tempo indeterminado. A paralisação, iniciada em 10 de setembro, busca a retomada das negociações para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), com o Saúde Caixa como o principal ponto de divergência.
A Paralisação e os Pontos de Divergência
A rejeição à proposta da Caixa foi expressiva; na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, 68% dos trabalhadores votaram contra. O cerne do debate reside no Saúde Caixa, plano de assistência médica que teve alterações significativas em seu modelo de custeio e regras de coparticipação na oferta do banco.
Detalhes da Proposta para o Saúde Caixa
As mudanças propostas para o Saúde Caixa incluíam contribuições dos empregados variando de 2,3% a 4,1% sobre o salário-base, conforme a faixa etária, e cobrança por dependente entre R$ 480 e R$ 660. Também previa o aumento do teto anual de coparticipação para R$ 4,8 mil por grupo familiar, um limite de 9% para o grupo familiar, a criação de um piso de R$ 50 por beneficiário e a cobrança de 13 mensalidades. Além disso, o valor da consulta em pronto-socorro seria elevado de R$ 75 para R$ 150, fora do teto, com isenção de coparticipação em telemedicina e recadastramento anual obrigatório. Uma janela de 90 dias para adesão de novos titulares também foi ofertada, sem possibilidade de retorno após cancelamento.
Reação da Caixa e Possíveis Ações Legais
Anteriormente, a Caixa havia classificado a proposta como final, indicando a possibilidade de recorrer à Justiça do Trabalho em caso de rejeição. A instituição avalia a entrada de um dissídio coletivo para que a Justiça estabeleça as condições para a resolução do impasse. Apesar da negativa dos trabalhadores, o banco reiterou a manutenção do diálogo com as entidades representativas, visando um entendimento.
Histórico e Abrangência da Greve
A paralisação teve início após uma proposta anterior de renovação do ACT ser rejeitada pelos trabalhadores. Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), mais de 90% das bases sindicais haviam recusado o texto inicial. Agências em São Paulo, Paraná e outras regiões amanheceram fechadas no começo da greve, embora os caixas eletrônicos tenham permanecido acessíveis.
Itens da Proposta Rejeitada
Entre os principais pontos da proposta da Caixa que foram rejeitados, destacam-se um prêmio de R$ 3 mil por empregado, o pagamento do salário reajustado, da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), do Super Caixa e do prêmio em 18 de setembro. Aumentava de 6,5% para 8% o limite de participação da Caixa no custeio do Saúde Caixa, antecipava parcelas da 13ª mensalidade e previa o pagamento de valores relativos ao PAMS a partir de 2027. A proposta incluía também R$ 236 milhões em ações de prevenção à saúde a partir de janeiro de 2027 e a criação de grupos de trabalho para discutir melhorias no plano e novas fontes de financiamento.
Alternativas para Atendimento ao Cliente
Durante a paralisação, a Caixa orienta seus clientes a priorizarem os canais digitais e remotos, como o aplicativo Caixa, Internet Banking, WhatsApp Caixa, Caixa Tem, além de outros aplicativos específicos (Cartões Caixa, Habitação Caixa, DPVAT e FGTS). Os caixas eletrônicos, a rede Banco24Horas, lotéricas e correspondentes Caixa Aqui também permanecem disponíveis. O atendimento telefônico Alô Caixa continua operante para capitais, regiões metropolitanas e demais localidades.
Situação no Banco do Brasil
Contrastando com a Caixa, a situação no Banco do Brasil é distinta. A maior parte dos sindicatos aprovou a proposta da instituição, e a categoria trabalhou normalmente. No entanto, a paralisação persiste em 18 bases sindicais onde os trabalhadores não encerraram o movimento.
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