O ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, confirmou sua permanência no partido Republicanos para concorrer a uma vaga de deputado federal por Minas Gerais nas próximas eleições. A decisão, anunciada após o fim da janela partidária, foi justificada pela sua filiação prévia à legenda e pela ausência de uma chapa ‘melhor’ que o fizesse mudar de sigla.
A Escolha Estratégica de Minas Gerais
A opção por Minas Gerais marca uma nova fase na carreira política de Cunha, que já foi deputado federal pelo Rio de Janeiro por quatro mandatos consecutivos (2003-2018), antes de ter seu mandato cassado em 2016 e de uma tentativa frustrada de eleição por São Paulo em 2022. O estado, conhecido por sua diversidade e importância eleitoral, tornou-se o foco de sua estratégia para retornar ao Congresso Nacional.
Em vídeo anterior, Cunha detalhou suas razões para escolher Minas Gerais, descrevendo o território como ‘a síntese do Brasil’ devido à sua vasta diversidade regional e à sua localização estratégica, fazendo fronteira com seis estados. Essa característica, segundo ele, faz com que os desdobramentos políticos mineiros frequentemente reflitam tendências nacionais. Para consolidar sua base, o ex-deputado investiu em patrocínios a clubes de futebol, presença em leilões de gado e cultos evangélicos, além da aquisição de rádios em diversos municípios.
A relevância de Minas Gerais no cenário político nacional é inegável, sendo o segundo maior colégio eleitoral do país, superado apenas por São Paulo. Cunha destacou que o estado costuma ser um termômetro das eleições presidenciais, exemplificando com o resultado de 2022, quando Lula venceu Bolsonaro por uma margem mínima, espelhando o cenário nacional. Para Eduardo Cunha, ‘recuperar Minas é recolocar o estado no centro do debate nacional’, lamentando o que considerou um ‘desastre’ na gestão anterior (referindo-se a Fernando Pimentel) e enfatizando a necessidade de restaurar o protagonismo mineiro.
Embates Políticos e Dinâmica Familiar na Candidatura Mineira
A permanência de Cunha no Republicanos em Minas Gerais ocorre em meio a tensões com Cleitinho Azevedo, correligionário cotado para o governo do estado. O histórico de desentendimentos inclui uma queixa-crime apresentada por Cunha no Supremo Tribunal Federal (STF) contra Azevedo, após o senador o ter chamado de ‘vagabundo’ e ‘canalha’. Anteriormente, Cleitinho já havia prometido fazer campanha contra a candidatura de Cunha em todos os municípios mineiros.
No contexto familiar, a decisão de Cunha de se candidatar por Minas Gerais em 2022 — e agora reiterada — reflete uma estratégia de evitar a competição direta com sua filha, Dani Cunha (União Brasil), eleita deputada federal pelo Rio de Janeiro. A avaliação foi de que o capital político da família não seria suficiente para eleger dois deputados no mesmo estado, levando Eduardo Cunha a buscar eleitorado em outras regiões. Sua tentativa em São Paulo em 2022, pelo antigo PTB, resultou em apenas 5 mil votos, contra os 75.810 votos de sua filha no Rio de Janeiro.
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Fonte: https://oglobo.globo.com