O Brasil encontra-se em alerta máximo devido ao aumento significativo de surtos de sarampo em outros países do continente americano. O diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, assegura que ações de prevenção e controle são implementadas constantemente para manter o país na condição de área livre da doença, reconquistada em 2024.
Cenário do <b>Sarampo</b> nas <b>Américas</b> e no <b>Brasil</b>
No ano anterior, 2023, foram notificados 14.891 casos de sarampo em 14 países das Américas, resultando em 29 óbitos. Somente em 2024, até o dia 5 de março, já foram confirmadas 7.145 infecções na região.
No Brasil, a primeira infecção de 2024 foi identificada em uma bebê de 6 meses na cidade de São Paulo. A criança contraiu a doença durante uma viagem à Bolívia, país que atualmente enfrenta um surto.
Apesar dos 38 casos de sarampo confirmados no país em 2023, o Brasil não corre o risco iminente de perder seu certificado de área livre. Isso se deve à ausência de transmissão sustentada da doença em território nacional até o momento.
Estratégias de Prevenção e Cobertura Vacinal
O diretor do PNI, Eder Gatti, reforça que, “por conta do cenário internacional, o Ministério da Saúde está em alerta máximo“. Ele destaca a importância crucial de manter a vacinação da população e de promover ações específicas em regiões com baixa cobertura vacinal.
O Ministério da Saúde tem intensificado as campanhas de vacinação, especialmente nas áreas de fronteira, visando conter a entrada e disseminação do vírus.
O calendário básico do Sistema Único de Saúde (SUS) prevê duas doses da vacina contra o sarampo: a primeira aos 12 meses (parte da tríplice viral) e a segunda aos 15 meses (parte da tetraviral). Recomenda-se que todas as pessoas com até 59 anos que não possuam comprovante de duas doses busquem a imunização.
Em 2023, 92,5% dos bebês receberam a primeira dose, mas apenas 77,9% completaram o esquema vacinal na idade recomendada. As autoridades de saúde mantêm um rigoroso trabalho de investigação e resposta a todos os casos suspeitos, mesmo que a maioria se mostre negativa.
Ações de Resposta Rápida: O <b>Bloqueio Vacinal</b>
Em 2023, foram notificadas 3.818 suspeitas de infecção. Em 2024, até 26 de janeiro, o painel do Ministério da Saúde registrou 27 suspeitas de sarampo no país.
O processo de bloqueio vacinal é acionado prontamente ao identificar uma suspeita. Envolve a notificação imediata ao Ministério da Saúde, o levantamento de todos os contatos do possível paciente e a aplicação da vacina nessas pessoas para evitar a propagação da doença.
Paralelamente, uma força-tarefa realiza uma busca ativa de outros casos suspeitos, visitando residências na vizinhança do paciente e vacinando preventivamente os moradores.
Os profissionais de saúde também realizam varreduras em laboratórios e unidades de saúde em busca de indivíduos com sintomas não notificados. Se a suspeita é descartada após exames, os esforços cessam. No entanto, se a infecção é confirmada, o paciente e sua comunidade são monitorados por três meses antes do fim oficial da ocorrência.
As medidas de resposta incluem a flexibilização das normas de vacinação, com a aplicação da “dose zero” para bebês de 6 meses a 1 ano que tiveram contato com o possível doente ou vivem em proximidade. Esses bebês, contudo, devem receber as duas doses regulares na idade recomendada.
Desafios Futuros e Recomendações da <b>Anvisa</b>
Eder Gatti reafirma que o Brasil possui as ferramentas necessárias para evitar que a situação de outros países do continente se repita aqui. Ele alerta para o risco iminente da Copa do Mundo de futebol em junho e julho, que ocorrerá em países (Estados Unidos, México e Canadá) com alta incidência de sarampo, aumentando o trânsito de turistas, incluindo brasileiros, e o potencial de disseminação da doença.
Diante disso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem veiculado mensagens em aeroportos e portos, enfatizando a importância da vacinação. Embora existam desafios internos significativos, a colaboração e a conscientização são essenciais.
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