O Tesouro Nacional realizou novas recompras de títulos públicos nesta terça-feira (17), em uma medida estratégica para conter a escalada dos juros futuros. A ação foi motivada pelo aumento das incertezas globais e incertezas domésticas, visando estabilizar o cenário econômico.
Com as operações mais recentes, a atuação do Tesouro alcançou um volume impressionante de R$ 43,6 bilhões em apenas dois dias. Essa marca configura a maior intervenção no mercado de títulos públicos em mais de uma década, superando significativamente as ações adotadas durante a pandemia de covid-19, quando o valor recompravado foi de R$ 35,56 bilhões em um período de 15 dias.
Detalhadamente, as recompras matinais totalizaram R$ 9,05 bilhões em títulos prefixados, enquanto as operações vespertinas com papéis atrelados à inflação movimentaram R$ 7,07 bilhões. No dia anterior, o volume já havia atingido R$ 27,5 bilhões.
A magnitude desta intervenção também ultrapassa episódios de grande estresse no mercado, como as manifestações de 2013 e a greve dos caminhoneiros de 2018.
O principal objetivo dessas recompras é reduzir a volatilidade na curva de juros, que serve como referência crucial para as expectativas sobre a Taxa Selic, os juros básicos da economia. A recente alta das taxas foi impulsionada pelo avanço do conflito no Irã e pela elevação dos preços do petróleo, fatores que intensificam o risco inflacionário.
Adicionalmente, o movimento ocorre em meio a incertezas internas, como a possibilidade de uma nova paralisação de caminhoneiros, que adiciona complexidade ao cenário econômico nacional.
Semana Decisiva para o Copom
A atuação do Tesouro é notável por acontecer na mesma semana da decisão de juros do Comitê de Política Monetária (Copom). Tradicionalmente, o Tesouro evita intervenções nesse período para não gerar interpretações de influência sobre a política monetária do país.
A curva de juros futuros é um dos principais termômetros utilizados pelo Banco Central para suas deliberações, especialmente na definição da trajetória da Taxa Selic.
A última edição do Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central, revela uma divisão nas projeções para a reunião desta quarta-feira. A maioria dos analistas prevê um corte da Selic de 0,25 ponto percentual, contudo, parte do mercado ainda aposta em uma redução maior. Antes da escalada do conflito no Oriente Médio, a expectativa predominante era de um corte mais robusto de 0,5 ponto percentual.
Estratégia Antecipada e Riscos Persistentes
A avaliação técnica sugere que o Tesouro adotou uma postura mais agressiva para evitar disfunções maiores no mercado no futuro. Em comparação, em dezembro de 2024, a reação foi considerada mais tardia em meio a turbulências políticas e fiscais.
A continuidade das intervenções, no entanto, permanece incerta e dependerá das condições de mercado. Historicamente, o Tesouro tende a atuar por alguns dias consecutivos em momentos de estresse, mas a decisão final é sempre a critério do órgão.
Risco Doméstico Continua Pressionando
Apesar da forte atuação do Tesouro, o mercado permaneceu pressionado ao fim do dia. A possibilidade de uma nova greve de caminhoneiros, conforme noticiado, elevou a percepção de risco, evocando os impactos econômicos observados em 2018, como a alta da inflação e a pressão fiscal.
Nesse cenário, a taxa de juros para janeiro de 2027 subiu para 14,13% ao ano, enquanto os vencimentos mais longos se mantiveram estáveis. No câmbio, o dólar diminuiu seu recuo, e a bolsa reduziu a alta inicial.
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