O cenário político no Rio de Janeiro ganhou uma nova e significativa reviravolta na noite de sexta-feira. O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu uma decisão liminar que suspende a eleição indireta para o cargo de governador do estado. Esta medida atende a uma reclamação do Partido Social Democrático (PSD) fluminense, que defende o voto direto para a escolha do chefe do Executivo estadual no mandato-tampão, com término previsto para 31 de dezembro de 2026.
Fundamentação da Decisão do Ministro Zanin
A decisão de Zanin foi proferida no mesmo dia em que outra determinação do próprio STF havia validado o pleito indireto, referente à Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7942. O ministro citou seu entendimento favorável ao voto direto, divergindo da maioria da Corte. Ele classificou a renúncia do governador Cláudio Castro, ocorrida na segunda-feira (23), como uma tentativa de ‘burlar a Justiça Eleitoral‘, excluindo a soberania popular da escolha do titular do cargo, mesmo em um período residual.
Para Zanin, a soberania popular, conforme o artigo 14 da Constituição Federal, é exercida por meio do sufrágio universal, com voto direto e secreto. O ministro defende que a suspensão da eleição indireta é crucial para a segurança jurídica, solicitando que a deliberação final da Corte ocorra após análise no plenário do Supremo. Ele também pediu destaque no julgamento da ADI 7942, movimento que retira o processo da votação eletrônica e o transfere para o plenário presencial.
Cenário de Sucessão e Interinidade
Enquanto a questão não é resolvida em definitivo, Zanin determinou que o presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), Ricardo Couto de Castro, assuma interinamente o posto de governador. A medida busca preencher o vácuo de poder e garantir a continuidade administrativa.
Entenda a Crise Política no Rio de Janeiro
A complexa situação de sucessão no Rio de Janeiro tem raízes que remontam a maio de 2025, quando o estado ficou sem vice-governador após a renúncia de Thiago Pampolha para assumir vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE). Com isso, o então presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União), ascendeu à primeira posição na linha sucessória.
Afastamento de Rodrigo Bacellar e Implicações
Em 3 de dezembro de 2025, Bacellar foi detido pela Operação Unha e Carne da Polícia Federal (PF), que investigou conexões de políticos com o Comando Vermelho (CV). Afastado da presidência da Alerj por ordem do STF, ele foi preso novamente na sexta-feira (27) pela mesma operação. Com o afastamento de Bacellar, a Alerj passou a ser presidida interinamente pelo deputado Guilherme Delaroli (PL), que, por sua condição de interino, não ocupa lugar na linha sucessória.
Renúncia e Inelegibilidade de Cláudio Castro
Na segunda-feira (23), o então governador Cláudio Castro (PL) renunciou ao cargo, expressando o desejo de disputar uma vaga no Senado em outubro. A manobra também visava evitar uma possível inelegibilidade, já que Castro enfrentava um julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder político e econômico na campanha de reeleição de 2022. O julgamento culminou desfavoravelmente para Castro, com o TSE declarando-o cassado e inelegível até 2030, decisão que também atingiu o deputado estadual Rodrigo Bacellar.
A Justiça Eleitoral, na mesma decisão, havia determinado a realização de eleições indiretas para o governo do estado pela Alerj. Antes da liminar de Zanin, o deputado estadual Douglas Ruas, do mesmo partido de Castro, chegou a ser eleito presidente da Alerj e alçado ao cargo de governador.
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