PSD do Rio Exclui Deputada Lucinha da Chapa: Temor de Desgaste Eleitoral e Ligações com Milícia Pressionam

A deputada estadual Lucinha é alvo de operação policial — Foto: Alerj/Reprodução

O Partido Social Democrático (PSD) do Rio de Janeiro, liderado pelo ex-prefeito e pré-candidato ao governo Eduardo Paes, deve sacramentar a retirada da deputada estadual Lucinha da chapa partidária para as eleições de outubro. A decisão, tratada nos bastidores, visa primordialmente evitar um desgaste político durante a campanha e reduzir o risco de uma eventual impugnação da candidatura pela Justiça Eleitoral, em virtude das graves investigações que envolvem a parlamentar.

Impacto na Estratégia Eleitoral do PSD

A avaliação dentro da legenda é que a manutenção de Lucinha na disputa poderia transformar a campanha em um foco permanente de atenção negativa. Este cenário é particularmente crítico considerando que a segurança pública deve ocupar posição central no debate eleitoral no Rio de Janeiro. Ao remover a deputada da nominata antes de qualquer determinação judicial, o PSD busca evitar um revés durante a campanha e reforçar um discurso de distanciamento de investigações envolvendo organizações criminosas.

Tradicionalmente, Lucinha é reconhecida como uma das principais puxadoras de votos para Paes na Zona Oeste, o maior colégio eleitoral da cidade. A saída da deputada impõe ao partido o desafio de encontrar um nome com densidade eleitoral equivalente na região para compensar essa perda significativa, tarefa considerada crucial na montagem da chapa.

Essa medida também é interpretada como um gesto político de Eduardo Paes, a principal liderança do PSD no estado. A exclusão de Lucinha da chapa sinaliza a intenção do partido de adotar um discurso de enfrentamento ao crime organizado e de retomada de áreas dominadas por facções criminosas e milícias, temas que prometem ter relevância acentuada na campanha.

As Acusações e Condenações Envolvendo a Deputada

Lucinha é investigada sob suspeita de integrar o núcleo político da milícia comandada por Luís Antônio da Silva Braga, o Zinho, apontada como uma das maiores organizações criminosas do Rio. Mensagens interceptadas pela Polícia Federal indicam que a deputada era referida como ‘madrinha’ por integrantes do grupo, em razão do auxílio que teria prestado. Ela e uma ex-assessora são acusadas de fornecer informações privilegiadas, incluindo rotas e agendas de autoridades, para facilitar a fuga de criminosos durante operações policiais e auxiliar na remoção de membros da organização das ruas.

Condenação por Assessor Fantasma e Perda de Mandato

Adicionalmente às investigações sobre suposta ligação com a milícia, Lucinha foi condenada em agosto de 2024 pelo Tribunal de Justiça do Rio a quatro anos, cinco meses e dez dias de prisão, em regime semiaberto. A sentença inclui a determinação de perda do mandato por manter um assessor fantasma entre 2011 e 2015. Segundo a acusação, o servidor nomeado para o gabinete atuava, na prática, como pedreiro em obras particulares e em atividades políticas vinculadas à parlamentar.

Operação Batismo e Arquivamento na Alerj

Na Operação Batismo, deflagrada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público em dezembro de 2023, Lucinha também foi apontada como o ‘braço político’ da milícia de Zinho. As acusações incluíam intercessão em favor de criminosos e o repasse de informações sigilosas ao grupo. Apesar das graves alegações, o procedimento relacionado a este caso foi arquivado pelo Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) em junho de 2024.

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Fonte: https://oglobo.globo.com

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