O Progressistas (PP) intensifica sua estratégia política em São Paulo, cobrando publicamente o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e sinalizando a possibilidade de lançar uma candidatura própria ao governo paulista. Em meio a essa pressão, o partido demonstra interesse em filiar o empresário Filipe Sabará, uma figura próxima a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e articulador de encontros na Faria Lima. A intenção é prepará-lo para uma disputa como deputado federal ou até mesmo ao cargo de governador.
A Estratégia do PP e a Pressão sobre Tarcísio
A movimentação do PP não é recente. No final de 2023, o diretório estadual do partido já havia divulgado uma nota expressando dificuldades de comunicação e a percepção de falta de atenção do governador Tarcísio com parlamentares e prefeitos do interior. Naquele momento, a nota também ventilava a possibilidade de uma candidatura própria. Além de Sabará, que teve participação na campanha de Pablo Marçal à prefeitura de São Paulo, o ex-governador Rodrigo Garcia é outro nome cogitado para se filiar à legenda, buscando um espaço na corrida eleitoral. Ambos estão atualmente sem partido.
O Posicionamento de Ciro Nogueira
Apesar da insatisfação expressa pelo diretório paulista, o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI), mantém uma posição mais conciliadora. Ele admite as queixas em relação a Tarcísio, mas reafirma o apoio a uma eventual tentativa de reeleição do governador. A estratégia principal do partido, segundo Nogueira, está focada na campanha de Guilherme Derrite (PP), ex-secretário de Segurança Pública do estado, que busca uma vaga no Senado.
Para Ciro Nogueira, as reclamações de prefeitos sobre a falta de diálogo com o governo de São Paulo são generalizadas e não se restringem apenas ao Progressistas. Contudo, ele enfatiza que tais descontentamentos não devem inviabilizar o apoio a Tarcísio. ‘A prioridade do partido é o Derrite. E o melhor caminho para a eleição dele é a aliança com o Tarcísio’, declarou o senador, alinhando a manutenção do apoio à corrida eleitoral de Derrite, embora veja com bons olhos a possível filiação de Sabará, mas para outro cargo.
Divergências Internas e a Visão dos Aliados de Tarcísio
A visão de Ciro Nogueira, entretanto, não é unânime dentro do PP. Um deputado paulista do partido, ouvido em caráter reservado, aponta que as queixas de falta de diálogo podem comprometer apoios cruciais no interior do estado. A avaliação é que Tarcísio, ao ter vencido em 2022 com poucas alianças municipais — o PSDB, por exemplo, detinha mais de 230 prefeituras dos 645 municípios —, subestimaria a importância dos prefeitos, confiante em sua alta popularidade.
Aliados do governador interpretam a insatisfação do PP como uma busca por recuperar espaço, especialmente após a saída de Guilherme Derrite da Secretaria de Segurança Pública, hoje ocupada pelo delegado Nico, que não possui filiação partidária. Para alguns apoiadores de Tarcísio em prefeituras relevantes, a ala paulista do PP estaria apenas tentando readquirir influência no governo, uma leitura veementemente negada pela direção do partido.
A Resposta do Governo Paulista
Procurados para comentar a situação, o governador Tarcísio de Freitas e o secretário-chefe da Casa Civil, Arthur Lima, emitiram uma nota oficial. No comunicado, o governo estadual reitera que ‘mantém diálogo constante com lideranças políticas e gestores municipais, bem como agenda contínua de reuniões com prefeitos e vice-prefeitos de todas as regiões do estado’, buscando desmistificar as alegações de falta de comunicação.
Para mais análises e notícias aprofundadas sobre a política em Mato Grosso e no cenário nacional, continue acompanhando o Portal MT Política.
Fonte: https://oglobo.globo.com