PF Rastrea Carro do Prefeito de Macapá com R$ 400 Mil e Detalha Esquema de Fraudes

Prefeito Dr. Furlan (Direita) e vice Mario Neto (Esquerda) — Foto: Reprodução/Instagram

A Polícia Federal (PF) revelou ao Supremo Tribunal Federal (STF) detalhes de uma ação controlada que levou ao afastamento do prefeito de Macapá, Dr. Furlan (PSD), e do vice-prefeito, Mário Neto (MDB). Durante a operação, agentes monitoraram um veículo ligado ao chefe do Executivo municipal, que transportava uma mochila contendo R$ 400 mil em espécie. As medidas cautelares foram prontamente acatadas pela Corte.

O Monitoramento e o Repasse do Numerário

Em 23 de maio de 2025, a PF iniciou o monitoramento de um dono de construtora que havia sacado o montante de R$ 400 mil em espécie de uma agência bancária. O dinheiro, acondicionado em uma mochila preta, foi levado primeiramente para a residência do empresário. Após breve permanência, o veículo se deslocou para outro imóvel, onde a mochila foi repassada a um segundo indivíduo. Este, por sua vez, entregou-a a uma terceira pessoa que embarcou em um Fiat Cronos branco.

A verificação em bancos de dados oficiais confirmou que o Fiat Cronos estava registrado em nome de ANTÔNIO PAULO DE OLIVEIRA FURLAN, o atual prefeito de Macapá, o que corroborou as suspeitas da investigação.

Esquema de Fraudes em Licitações e Desvio de Recursos

As investigações da PF apontam para a existência de um “esquema criminoso estruturado” envolvendo agentes públicos e empresários. Este grupo atuaria no direcionamento de licitações, desvio de recursos públicos e pagamento de propinas. Métodos de dissimulação patrimonial, incluindo entregas físicas de numerário e movimentações bancárias suspeitas, eram utilizados para ocultar as operações ilícitas.

A Resposta do Prefeito Afastado

Após a divulgação dos fatos, o prefeito Dr. Furlan utilizou suas redes sociais para se manifestar. Ele afirmou ser vítima de “ataques, perseguições e atrasos” e, diante dos acontecimentos, reafirmou sua pré-candidatura ao governo do Amapá, interpretando os eventos como uma oposição à “vontade do povo e da população de Macapá”.

Outras Descobertas da Investigação

Durante as apurações, uma operação na residência do motorista do carro do prefeito revelou anotações de supostas operações bancárias que totalizavam R$ 3 milhões em depósitos fracionados. Os investigadores indicam que os principais beneficiados seriam o Instituto Medicina do Coração LTDA, de propriedade de Antônio Furlan, e a RCFS Médicos LTDA, cuja responsável é Rayssa Furlan, esposa do prefeito.

Detalhes da Operação Paroxismo

A segunda fase da ação policial, batizada de “Operação Paroxismo“, cumpre mandados expedidos pelo STF, que determinou o afastamento dos servidores públicos investigados por 60 dias. Treze mandados de busca e apreensão estão sendo executados em Macapá (AP), Belém (PA) e Natal (RN).

A PF indica que o “esquema criminoso” envolve agentes públicos, como Furlan e Mário Neto, além de empresários. O objetivo principal seria direcionar licitações, desviar recursos públicos e lavar dinheiro no projeto de engenharia e execução das obras do Hospital Geral Municipal da cidade. Na primeira fase da operação, deflagrada em setembro do ano anterior, já haviam sido identificados indícios de pagamento de propinas relacionadas ao contrato de R$ 69,3 milhões para as obras do hospital, formalizado em maio de 2024.

Para mais informações sobre este e outros desdobramentos da política nacional e mato-grossense, acompanhe o Portal MT Política.

Fonte: https://oglobo.globo.com

Mais recentes

PUBLICIDADE