Impasse com União Brasil-PP Trava Chapa do PL no Rio: Convenção de Flávio Bolsonaro Incompleta

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, em debate na CNI — Foto: C...

A dois dias da convenção estadual do PL no Rio de Janeiro, a negociação conduzida por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para manter a federação União Brasil-PP em seu palanque segue sem desfecho, indicando que o partido pode chegar ao evento com a chapa incompleta. A tendência é que a legenda homologue apenas as candidaturas já definidas: o deputado estadual Douglas Ruas ao governo e o senador Carlos Portinho à reeleição, postergando a escolha do vice-governador e do candidato à segunda vaga ao Senado. O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, admite que a manutenção da federação está longe de ser garantida, descrevendo a situação como “difícil”.

Origem do Impasse: Candidatura de Canella e Saída de Lisboa

A indefinição atual é reflexo de uma série de reveses na montagem da chapa fluminense. O primeiro deles surgiu com a disputa pela segunda vaga ao Senado, inicialmente reservada para o União Brasil. A negociação estagnou após a prisão em flagrante de Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo, por porte ilegal de fuzil durante uma operação da Polícia Federal. Embora liberado posteriormente pelo Supremo Tribunal Federal com medidas cautelares, o PL avaliou que sua candidatura perdeu viabilidade política, solicitando um novo nome ao União Brasil.

A resistência do União Brasil em ceder em relação a Canella aprofundou o desgaste entre os partidos. Dirigentes da federação chegaram a impor a manutenção do ex-prefeito na chapa como condição para seguir na aliança com Douglas Ruas. No PL, contudo, a percepção é que essa exigência funciona como instrumento de pressão, fortalecendo o movimento de desembarque da aliança no Rio dentro da federação.

O cenário se agravou com a desistência de Rogério Lisboa (PP), ex-prefeito de Nova Iguaçu, da candidatura a vice de Douglas Ruas. A saída de Lisboa, que era o principal nome indicado pela federação, ampliou significativamente as dúvidas sobre a permanência do União Brasil e do PP no palanque do PL.

Negociações em Nível Nacional: Flávio Bolsonaro em Ação

Para evitar o rompimento, Flávio Bolsonaro assumiu pessoalmente as negociações com os presidentes do PP, Ciro Nogueira, e do União Brasil, Antonio Rueda. A campanha avalia que o destino da chapa fluminense está intrinsecamente ligado à decisão nacional da federação: um apoio à candidatura presidencial do PL tende a preservar a aliança no Rio, enquanto a neutralidade dificultaria a manutenção dos partidos ao lado de Douglas Ruas.

A reunião crucial de Flávio e Ciro, agendada para esta quarta-feira, é vista como a última tentativa de reverter o quadro. Nos bastidores, o ambiente é considerado desfavorável, com Ciro encontrando amplo apoio à neutralidade nos diretórios estaduais do PP, com cerca de 90% das manifestações defendendo que o partido não apoie nenhum candidato à Presidência no primeiro turno. Na véspera, Ciro Nogueira reuniu a Executiva Nacional para consolidar sua posição.

Mesmo diante deste cenário adverso, aliados de Flávio Bolsonaro afirmam que ele está disposto a ampliar as concessões. A negociação entrou na fase do “tudo ou nada”, com a campanha admitindo discutir a composição da chapa presidencial, a distribuição de ministérios estratégicos em um eventual governo e até a revisão de acordos estaduais para acomodar os interesses da federação.

PL Adia Definições e Espera Recomposição

Enquanto as negociações prosseguem, o PL optou por adiar as definições pendentes da chapa. A diretoria nacional acredita que preencher agora as vagas de vice ou da segunda cadeira ao Senado poderia comprometer uma possível recomposição com a federação. Assim, a convenção deverá homologar provisoriamente apenas Douglas Ruas, Carlos Portinho e as chapas proporcionais.

A interlocução no estado do Rio de Janeiro é conduzida pelo presidente do PL fluminense, Altineu Côrtes, que tem se reunido com o presidente estadual do PP, Dr. Luizinho, e conversado com Antonio Rueda. A expectativa da direção partidária é que, com o avanço da negociação nacional, União Brasil e PP possam indicar novos nomes para a chapa já na próxima semana.

Reservadamente, dirigentes do PL afirmam que a vaga de vice precisa de tempo para “decantar” antes da escolha de um substituto para Rogério Lisboa. A preferência da cúpula do partido é que o posto seja ocupado por uma mulher, mas essa decisão permanece condicionada ao desfecho das negociações com a federação.

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Fonte: https://oglobo.globo.com

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