Copom Debate Taxa Selic: Mercado Espera Manutenção em Meio à Inflação e Quórum Desfalcado

© Marcello Casal JrAgência Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reuniu-se na primeira sessão do ano para deliberar sobre a Taxa Selic, em um contexto de inflação desacelerando, mas com a pressão de alguns preços, notadamente os de serviços. Apesar da recente valorização do real frente ao dólar, as projeções do mercado financeiro apontam para a manutenção da taxa básica de juros em seu patamar atual, considerado o mais elevado em quase duas décadas. A decisão foi tomada com o Copom desfalcado, devido a mandatos de diretores expirados, aguardando novas indicações presidenciais.

A Decisão do <b>Copom</b> e as Expectativas do <b>Mercado</b>

A Taxa Selic, atualmente fixada em 15% ao ano, alcançou um nível não visto desde julho de 2006, quando estava em 15,25%. Após um período de sete elevações consecutivas, entre setembro de 2023 e junho de 2024, a taxa permaneceu inalterada nas quatro reuniões subsequentes. A expectativa predominante entre os analistas, conforme o boletim Focus, é de que a Selic se mantenha nesse patamar, ao menos, até março. Contudo, a recente queda do dólar tem gerado discussões sobre a possibilidade de uma antecipação na redução dos juros.

A condução desta reunião foi marcada pela ausência de diretores no Copom, cujos mandatos haviam expirado. A indicação de substitutos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva é esperada somente após o retorno do Congresso Nacional, em fevereiro, impactando a composição do comitê em um momento crucial para a política monetária.

O Cenário da <b>Inflação</b> e a <b>Política Monetária</b>

A ata da última reunião do Copom, realizada em dezembro, indicou a necessidade de manter a Selic em 15% por um período prolongado para assegurar a convergência da inflação à meta, sem, contudo, sinalizar o início de um ciclo de quedas. O cenário permanece caracterizado por elevada incerteza, exigindo prudência na gestão da política monetária. Internamente, a pressão exercida por certos preços, como os de serviços, continua desafiando a desaceleração econômica.

O comportamento da inflação segue como um fator imprevisível. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) registrou 0,2% em outubro, acumulando 4,5% em 12 meses e retornando ao teto da meta. As estimativas do boletim Focus para a inflação em 2025 caíram para 4,4%, situando-se ligeiramente abaixo do teto da nova meta contínua, que é de 4,5%.

Entendendo a <b>Taxa Selic</b> e seu Impacto

A Taxa Selic é o principal instrumento do Banco Central para gerenciar a inflação. Utilizada nas operações com títulos públicos federais, ela funciona como balizador para as demais taxas de juros na economia. O BC atua diariamente no mercado aberto, comprando e vendendo títulos, para manter a taxa próxima do valor estabelecido pelo Copom.

Quando o Copom eleva a Selic, busca-se conter a demanda aquecida, encarecendo o crédito e estimulando a poupança, o que pode frear a expansão econômica. Por outro lado, a redução da Selic tende a baratear o crédito, incentivando a produção e o consumo, e, consequentemente, estimulando a atividade econômica. Os bancos, ao definir os juros para consumidores, consideram diversos fatores além da Selic, como o risco de inadimplência e custos administrativos.

A Nova <b>Meta Contínua de Inflação</b>

Desde janeiro de 2025, está em vigor o novo sistema de meta contínua de inflação, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A meta central é de 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, resultando em um limite inferior de 1,5% e superior de 4,5%. Diferente do modelo anterior, a apuração da inflação agora é feita mensalmente, considerando o acumulado em 12 meses de forma contínua, não se restringindo a um índice fechado anual. O Banco Central mantém a projeção de que o IPCA encerre 2026 em 3,5%.

Para acompanhar todas as análises e desdobramentos da política econômica brasileira, acesse o Portal MT Política e mantenha-se informado sobre as decisões que impactam diretamente seu dia a dia!

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Mais recentes

PUBLICIDADE