Caru Brandi: Exposição Pioneira Traz a Cultura Trans para o Rio de Janeiro

© Gabriela Puchineli/Divulgação 

Pela primeira vez no Rio de Janeiro, o artista gaúcho **transmasculino não-binário** **Caru Brandi** apresenta uma **exposição individual** que visa dar visibilidade à **cultura trans**. Intitulada “Fabulações transviadas de Caru Brandi”, a mostra está disponível para visitação no **Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP/Iphan)**, no Catete, marcando um momento significativo para a representatividade artística e social na cidade.

Um Marco para a Representatividade Trans

A iniciativa de **Caru Brandi** é celebrada como uma conquista para a **comunidade trans**, pois ele se torna a primeira pessoa trans a expor neste prestigiado espaço. O artista expressou sua satisfação em “abrir caminhos” e espera que a inclusão de **saberes trans** se torne uma política contínua não apenas no Centro de Folclore, mas em outras instituições culturais do Rio de Janeiro. Esta **exposição individual** representa um passo fundamental na desmistificação e valorização das **vivências trans** através da arte.

As Obras e Detalhes da Visitação

As **obras de Caru Brandi** incluem cerâmicas e pinturas, algumas do acervo pessoal do artista e outras criadas especificamente para a **Sala do Artista Popular**. Elas retratam, de forma lúdica e crítica, os processos da **transição de gênero**. Todas as peças expostas estão à venda. A entrada é gratuita, e a exposição pode ser visitada de terça a sexta-feira, das 10h às 18h, e aos sábados, domingos e feriados, das 11h às 17h, até o dia 22 de abril.

A Trajetória Artística e Pessoal de Caru Brandi

A jornada artística de **Caru Brandi** teve início com a tatuagem e desenhos, mas sua expressão sofreu uma mudança radical em 2018, coincidente com seu processo de **transição de gênero** e o reconhecimento em outras pessoas **transmasculinas e não-binárias**. Ele migrou de um estilo mais realista para abordagens ficcionais, consolidando seu **processo artístico** com sua identidade.

Apesar de ter concluído a faculdade de Direito em 2021, **Caru Brandi** decidiu seguir sua vocação para a arte, identificando-a com a **transmasculinidade**. Atualmente, ele cursa Artes Visuais na UFRGS, buscando profissionalização e atuando como arte-educador na Casa de Cultura Mário Quintana, em Porto Alegre, desde 2024. Para ele, a pintura e o desenho foram cruciais para o **encontro com a comunidade trans**.

Coletividade, Performance e Resistência

A inauguração da exposição foi precedida pela oficina “Imaginários do barro”, permitindo ao público uma vivência com a escultura em cerâmica. A abertura também contou com uma performance dos artistas Maru e Kayodê Andrade, destacando a potência da **cultura ballroom**. Este movimento, enraizado nos anos 70 por comunidades **LGBTQIA+, negras e latinas** nos Estados Unidos, é uma forma de **resistência** através de intervenções artísticas, desfiles e dança.

**Caru Brandi** enfatiza a importância da **coletividade**, trazendo outros artistas como Maru e Kayodê, ambos **transmasculinos não-binários**, para compartilhar o espaço da exposição. Ele busca com seu trabalho refletir sobre as diversas formas de ser trans e combater a **invisibilidade das vivências trans**, afirmando que “muita gente não sabe que pessoas como eu existem, que homens trans existem, e em diversas formas.” A **exposição** é, assim, uma poderosa **ação educativa**.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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