Brasil Reage: Ministro Classifica Tarifa dos EUA como ‘Indevida’ e Promete Ações

© Divulgação/Porto de Santos

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, declarou como “indevida” a nova tarifa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Segundo o ministro, a medida se sustenta em argumentos que carecem de veracidade. O governo brasileiro buscará a reversão da decisão por meio de negociações, sem descartar a adoção de medidas de reciprocidade.

A Justificativa Americana e a Contestação Brasileira

A sobretaxa, anunciada pelo governo estadunidense, justifica-se pela alegação de que o Brasil não implementa mecanismos suficientes para coibir a importação de itens produzidos com trabalho forçado. A nova alíquota entrou em vigor em 24 de novembro e, para certas exportações, soma-se a uma tarifa preexistente de 25%.

Márcio Elias Rosa refutou categoricamente as justificativas, enfatizando a política de combate ao trabalho escravo do Brasil. Ele ressaltou que o país possui compromissos históricos com a prevenção, controle, fiscalização e acolhimento de vítimas, sendo signatário de todos os instrumentos da Organização Internacional do Trabalho. O ministro reiterou o compromisso brasileiro com os direitos humanos e o trabalho digno, classificando a nova tarifa como “indevida” e “baseada em fatos que não são reais”.

Impacto nos Setores Exportadores

Apesar de uma extensa relação de produtos isentos das novas tarifas, diversos setores da indústria brasileira serão afetados pela cobrança cumulativa de 37,5%. Entre os mais impactados estão calçados, máquinas, equipamentos, peças, componentes, confecções e produtos químicos (exceto farmacêuticos).

Por outro lado, produtos essenciais como carne bovina, café, suco de laranja e frutas permanecem fora tanto da tarifa de 25% quanto da nova sobretaxa de 12,5%. Ao todo, aproximadamente 2 mil produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos foram isentos de ambas as medidas.

O MDIC informou que ainda está em processo de levantamento para consolidar a lista completa dos produtos sujeitos à dupla tarifação, continuando a identificar todos os itens impactados simultaneamente pelas sobretaxas.

Estratégia de Resposta do Brasil

O governo brasileiro manterá o diálogo como prioridade com Washington para reverter as tarifas, mas o país não renunciará à aplicação dos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica, sancionada este ano. Essa legislação permite uma resposta a medidas comerciais consideradas injustificadas, protegendo a economia brasileira e seus interesses. A forma e o momento de adoção de tais medidas dependerão da evolução das negociações, com o objetivo primário de afastar essas tarifas, classificadas como “extremamente injustas e muito danosas”.

As prioridades imediatas do governo incluem o apoio aos setores mais prejudicados, a intensificação da busca por novos mercados e a preparação da estratégia jurídica e diplomática do Brasil. As conversas com as autoridades americanas devem ser retomadas no próximo mês, após a conclusão do levantamento completo dos impactos das novas medidas nas exportações.

Empresas afetadas poderão acessar recursos do programa Brasil Soberano, que disponibilizou R$ 18,5 bilhões em crédito para capital de giro, investimentos, inovação e a abertura de novos mercados, visando mitigar os efeitos das tarifas.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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