O Brasil se despede de uma de suas mais notáveis figuras religiosas: Luiz Ângelo da Silva, conhecido como Ogan Bangbala, faleceu no último domingo, 15 de outubro, no Rio de Janeiro, aos 106 anos. Reconhecido como o Ogan mais antigo do Brasil, ele dedicou mais de oito décadas ao candomblé. Seu sepultamento ocorreu na tarde de terça-feira, 17 de outubro, no Cemitério Jardim Mesquita, na Baixada Fluminense. A causa da morte foi uma infecção renal, conforme comunicado por sua esposa, Maria Moreira.
A Vida e Legado de um Guardião da Cultura Afro-Brasileira
Nascido em Salvador (BA) em 21 de junho de 1919, Luiz Ângelo da Silva foi iniciado no candomblé ainda jovem, assumindo a função de ogan, responsável por tocar os atabaques e conduzir o ritmo das cerimônias dedicadas aos orixás. Posteriormente, mudou-se para Belford Roxo, na Baixada Fluminense, onde viveu até seus últimos dias.
A influência de Bangbala transcendeu os terreiros. Ele foi um dos fundadores do afoxé Filhos de Gandhy e gravou dezenas de álbuns de cânticos de candomblé em língua iorubá. Seu reconhecimento se estendeu ao nível nacional, sendo agraciado com a Ordem do Mérito Cultural pela Presidência da República em 2014. Também foi tema de homenagem pela escola de samba Unidos do Cabuçu em 2020 e de uma exposição do Centro Cultural Correios em 2024.
A Memória Viva de um Griot
O babalorixá Ivanir dos Santos destacou a relevância de Ogan Bangbala como um ‘grande griot das nossas tradições’, termo que designa os guardiões da memória dos povos africanos. Segundo Santos, mesmo após sua partida, Bangbala ‘continuará presente’ e será um ancestral a iluminar as práticas diárias e a vasta cultura afro-brasileira que ele tão fielmente representou e enriqueceu.
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