Besa Me Mucho: Bloco Carnavalesco Une Música Latina e Resistência Política na Providência

© Tânia Rêgo/Agência Brasil

O bloco **Besa Me Mucho** transformou as ladeiras do **Morro da Providência**, no centro do Rio, em um vibrante palco para a **cultura latino-americana**. No último domingo (8), o cortejo celebrou a **integração continental**, mesclando ritmos latinos, batuques brasileiros e uma forte **mensagem política**. A concentração, que reuniu moradores, **músicos imigrantes** e foliões, destacou a ocupação cultural como um gesto de **resistência**.

A Gênese e o Caráter Político do Bloco

Criado a partir de coletivos atuantes na região, como o Cortejinho RJ, o **Besa Me Mucho** reafirma a importância da **ocupação cultural das ruas**. Os organizadores enfatizam que a “intensidade de fazer **música latina** nas vielas da **Pequena África** é **resistência**”, sublinhando a conexão histórica do bloco com a primeira favela do Brasil.

Vozes da Folia: Integração e Crítica Social

Entre os participantes, o espanhol Andrés Martin, em seu primeiro **carnaval carioca**, descreveu o bloco como um símbolo de **liberdade**. Ele ressaltou que o desfile abriu espaço para reflexões sobre as **políticas migratórias**, especialmente as impostas pelo governo de Donald Trump, criticando o tratamento dado aos **imigrantes**.

O Carnaval como Movimento de Resistência

A bióloga venezuelana Salomé, integrante da banda e moradora do Brasil, destacou o **carnaval de rua** como um “movimento de **resistência**, de **luta**, de ocupar espaços de vida”. Para ela, o **Besa Me Mucho** alinha-se à ideia de **pertencimento latino-americano**, desmistificando a separação do Brasil do restante do continente e defendendo que as **fronteiras** são meras construções humanas. Salomé enfatizou que a rua é o espaço central para essa **disputa simbólica** e encontro cultural.

América Latina Unida pela Música

André Videira de Figueiredo, professor de sociologia e músico do bloco, reiterou que a **proposta musical** do **Besa Me Mucho** é inseparável de seu **caráter político**. Ele afirmou que o bloco, composto majoritariamente por **imigrantes**, assume a responsabilidade de promover uma “América Latina livre” e de uma identidade continental anterior à influência norte-americana. O editor Felipe Eugênio Santos e Silva complementou que o bloco rompe a percepção de que o Brasil estaria à parte da América Latina, ajudando a conectar com a **cultura** e os “modos de existir” dos **países irmãos**.

O empresário Michael Pinheiro também sublinhou o papel político do **carnaval de rua**, descrevendo-o como o “Brasil acontecendo de forma muito objetiva”, uma **manifestação política** que ensina e comunica à própria população. O sociólogo Rodrigo Freitas reforçou que o desfile nas ladeiras da **Providência** é um “ato de **resistência**”, que conecta o Brasil às ladeiras da **América Latina** e fortalece uma identidade comum contra o **imperialismo**. Ele concluiu que iniciativas como o **Besa Me Mucho** são essenciais para o Brasil se reconhecer plenamente como parte do continente **latino**.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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