Alerta: Vírus Sincicial Respiratório (VSR) Representa Grave Risco para Idosos, Indicam Especialistas

© Prefeitura de SP/Divulgação

Enquanto a influenza A gera preocupação, outro agente infeccioso, o vírus sincicial respiratório (VSR), emerge como uma ameaça significativa à saúde dos brasileiros, especialmente aos idosos. Dados do Ministério da Saúde revelam que, no primeiro trimestre, 18% dos casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) com identificação viral foram atribuídos ao VSR, um patógeno ainda subestimado. A expectativa para o segundo trimestre é de crescimento, com o VSR respondendo por 19,9% das síndromes com vírus confirmados entre março e abril, segundo o Boletim Infogripe da Fiocruz. Em laboratórios privados, 38% dos testes virais positivos indicaram VSR na semana de 4 de abril, um aumento de 12 pontos percentuais em relação a março, conforme o Instituto Todos pela Saúde.

Subnotificação: A Ponta do Iceberg do VSR

A pneumologista Rosemeri Maurici, da UFSC, classifica esses números como “a ponta do iceberg”, alertando para a subestimação do VSR, particularmente em adultos e idosos. Ela explica que a testagem em larga escala para o VSR no Brasil é recente, impulsionada pela pandemia de covid-19, o que significa que seu impacto real permanece em grande parte desconhecido. Dos aproximadamente 27,6 mil casos de SRAG no primeiro trimestre, apenas um terço teve o vírus causador identificado, e quase 17% não foram testados, dificultando a compreensão completa da prevalência do VSR.

A percepção comum de que o VSR afeta primariamente bebês, sendo a principal causa da bronquiolite, contribui para a falta de reconhecimento de seu risco em adultos. Embora 1.342 dos 1.651 casos graves registrados entre janeiro e março tenham sido em menores de dois anos, a detecção em adultos é dificultada pela rápida diminuição da carga viral após 72 horas da infecção, contrastando com a janela diagnóstica mais ampla em crianças.

Comorbidades e a Vulnerabilidade dos Idosos

Analisando os dados de óbito, a disparidade se atenua: das 27 mortes totais este ano, 17 foram em bebês e sete em idosos com 65 anos ou mais. A geriatra Maisa Kairalla aponta que o envelhecimento e as doenças crônicas são fatores cruciais. A “imunosenescência”, o declínio do sistema imunológico com a idade, torna os idosos mais suscetíveis a infecções. Fatores como histórico de tabagismo e consumo de álcool também agravam essa vulnerabilidade.

VSR: Riscos Agravados Comparados à Influenza

A literatura médica, apresentada por Maisa Kairalla, revela que o VSR impõe um risco especial aos idosos. Comparado à influenza, pacientes idosos com VSR têm 2,7 vezes mais chances de desenvolver pneumonia e o dobro de chances de necessitar de UTI, intubação e de vir a óbito. Essas informações foram discutidas em um seminário organizado pela farmacêutica GSK, que reuniu especialistas para debater o impacto do VSR na população 50+.

O cardiologista Múcio Tavares, da USP, enfatizou que mais de 60% dos casos graves de VSR ocorrem em pacientes com alguma das doenças cardiovasculares. Ele explicou que infecções virais respiratórias podem desencadear eventos como infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC) e agravamento da insuficiência cardíaca, devido à inflamação sistêmica.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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