A Saída de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça: Entenda os Motivos da Demissão

Lewandowski acertou sua saída com o presidente Lula na quinta-feira — Foto: Cristiano Mariz

O pedido de demissão de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça, que em breve será oficializado no Diário Oficial da União, começou a ser gestado há pelo menos três meses. Em novembro, o então ministro foi convocado às pressas por Lula em Belém, no barco presidencial durante a COP-30, para discutir ações na segurança pública. Na ocasião, Lewandowski expressou ao presidente: “Percebi que o senhor quer um xerife na segurança pública. Acho que não tenho esse perfil”, colocando seu cargo à disposição.

O Perfil Conciliador e a Cobrança por Protagonismo Político

Desde sua posse em fevereiro de 2024, Lewandowski delineou seu perfil como “conciliador” e “discreto”, afastado de confrontos políticos. Contudo, diante do ano eleitoral, o Planalto e o PT intensificaram a cobrança por posicionamentos mais incisivos, no estilo de Flávio Dino. Havia uma expectativa para que Lewandowski utilizasse as redes sociais e concedesse entrevistas após cada operação da Polícia Federal. Entretanto, o ex-ministro não se identificava com esse papel de ‘garoto propaganda’, sequer possuindo um perfil na rede X.

Intrigas Internas e o "Fogo Amigo" no Governo

O que mais desgastou Lewandowski não foram as pressões externas, mas sim o ‘fogo amigo’ vindo de integrantes do próprio governo. O ministro da Casa Civil, Rui Costa, é apontado nos bastidores como um dos principais articuladores de sua saída. As desavenças entre os dois auxiliares de Lula tornaram-se notórias na discussão da PEC da Segurança Pública, que levou mais de nove meses para ser enviada ao Congresso, ficando paralisada na pasta de Rui. Em um encontro tenso em novembro, Lewandowski questionou Rui sobre a intenção de criar uma secretaria especial de segurança pública subordinada à Casa Civil, reafirmando sua disposição de entregar a pasta. Naquele momento, também ressurgiu a discussão sobre o desmembramento do ministério em duas pastas, ideia veementemente rechaçada por ele.

Isolamento Político e Cortes Orçamentários

Internamente, Lewandowski expressava não se sentir “bem tratado” pelo governo e relatava isolamento nas articulações no Congresso Nacional. Na PEC da Segurança Pública, por exemplo, ele testemunhou a inclusão de propostas como a diminuição da maioridade penal e o veto à progressão de regime para certos crimes, sem que a base aliada reagisse efetivamente. Adicionalmente, questionava a lógica de cortar quase R$1 bilhão do orçamento da pasta enquanto se debatia sua divisão em dois novos ministérios.

O "Para-raio de Problemas" e as Razões Pessoais

Um secretário próximo a Lewandowski descrevia a cadeira do Ministério da Justiça como um ‘para-raio de problemas’, responsável por uma vasta gama de questões, desde crises de imigrantes e protestos indígenas até queixas por falta de energia e prevenção de ataques em escolas. Por fim, as razões pessoais e familiares também foram um fator determinante para a saída do ministro, conforme explicitado em sua carta de demissão entregue a Lula. A pressão para dedicar mais tempo à família, que Lula chegou a intervir diretamente com sua esposa, Yara, para que ele aceitasse o cargo em 2024, pesou decisivamente nos últimos meses.

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Fonte: https://oglobo.globo.com

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