A produção industrial brasileira tem demonstrado um comportamento de estabilidade, operando em um patamar constante, especialmente desde abril de 2025. Essa conclusão é da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada nesta quinta-feira (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), conforme análise de André Macedo, gerente responsável pelo estudo.
Em novembro de 2025, o setor registrou uma variação de 0%, sendo o melhor resultado para este mês desde 2023, quando houve um avanço de 1,1%. Em contraste, novembro de 2024 apresentou uma queda de 0,7%.
Macedo detalha que, na série histórica de 2025, o primeiro trimestre exibiu um avanço mais significativo, culminando com o maior crescimento marginal do ano em março, de 1,8%. No entanto, após essa fase inicial, o setor experimentou uma perda de ritmo em abril e maio, permanecendo subsequentemente em um patamar de relativa inércia.
Influência da <b>Política Monetária</b>
Para o gerente, o cenário de menor dinamismo para a indústria guarda uma relação importante com uma política monetária mais restritiva. A elevação da taxa de juros e o consequente aperto monetário encarecem as operações de crédito, dificultando o acesso e as condições para investimentos no setor.
Esse movimento é intrinsecamente associado ao aumento da taxa de juros, explicando o comportamento de menor intensidade observado na produção industrial nos últimos meses. Não por acaso, 2025 registrou seis meses com resultados muito próximos da margem de estabilidade: 0,1% em janeiro, estabilidade em fevereiro, 0,1% positivo em junho, -0,1% em julho, 0,1% positivo em outubro, e a variação nula em novembro.
O Contraponto do <b>Mercado de Trabalho</b> Robusto
Apesar do comportamento da indústria ser influenciado pelas questões da política monetária, a economia brasileira tem registrado outros resultados favoráveis. O mercado de trabalho mantém-se robusto, com crescimento da massa de rendimentos, níveis de ocupação em patamares elevados e taxas de desocupação em patamares baixos.
Este desempenho positivo no âmbito doméstico impulsiona, de certa forma, a economia e, consequentemente, o setor industrial. Contudo, André Macedo reitera que o pano de fundo para a menor intensidade da produção industrial permanece sendo a política monetária restritiva e o avanço nas taxas de juros, com o setor girando em torno do mesmo patamar desde julho de 2025.
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