O apoio declarado pelo prefeito de Primavera do Leste, Sérgio Machnic (PL), a Otaviano Pivetta (Republicanos) nesta sexta-feira adiciona mais um capítulo a um movimento político que vem se consolidando em Mato Grosso: a substituição da lealdade partidária pela conveniência eleitoral.
Em menos de uma semana, Machnic se tornou o terceiro prefeito filiado ao PL a abandonar, na prática, o projeto político de Wellington Fagundes na disputa pelo governo estadual. O gesto chama atenção não apenas pela escolha em si, mas pelo contexto.
Em março deste ano, durante a Farm Show, Wellington esteve ao lado do prefeito e fez questão de levar um abraço enviado por Jair Bolsonaro. Em outras agendas, o senador foi recebido como parceiro estratégico de Primavera do Leste, em encontros marcados por declarações públicas de alinhamento, anúncios de recursos e sinalizações claras de proximidade política.
O histórico recente mostra uma relação construída com capital político, apoio institucional e reciprocidade pública. Por isso, a mudança de posição não passa despercebida.
O episódio também revela uma realidade cada vez mais evidente na política mato-grossense: alianças têm se mostrado menos sustentadas por convicções e mais orientadas por cálculos pragmáticos de curto prazo. Apoios que antes pareciam consolidados tornam-se frágeis diante da força da máquina pública, da pressão regional e das conveniências do momento.
Não se trata apenas de um movimento isolado em Primavera do Leste. O caso simboliza uma lógica que vem ganhando espaço no jogo político de 2026 — a de que fidelidade partidária, coerência e alinhamento ideológico passaram a valer menos do que a utilidade imediata de cada aliança.
No fim, o recado é claro: em tempos de pragmatismo extremo, a lealdade virou ativo descartável. E, na política, alianças parecem durar apenas até surgir uma opção considerada mais conveniente.