A ex-prefeita de Contagem (MG), Marília Campos (PT), pré-candidata ao Senado por Minas Gerais, manifestou nesta quinta-feira sua preocupação com a decisão do partido de lançar uma candidatura própria ao governo de Minas, classificando-a como um “equívoco estratégico“. A articulação, que visa formar o palanque no estado, conta com o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A Posição de Marília Campos: Crítica à Estratégia Partidária
Em nota divulgada à imprensa, Marília Campos argumentou que, embora legítima do ponto de vista partidário, a candidatura própria pode “fragilizar o campo democrático e popular no estado” ao “reproduzir uma disputa fortemente polarizada”. Segundo ela, essa abordagem tende a recolocar no centro do debate conflitos que pouco contribuem para enfrentar os problemas concretos dos mineiros, além de dificultar a formação de uma maioria política capaz de sustentar o projeto democrático liderado pelo presidente Lula. A discussão sobre o palanque em Minas Gerais ocorreu após reunião de Lula com integrantes do diretório mineiro e o presidente do PT, Edinho Silva.
A Defesa de Alianças Amplas e os Obstáculos no Caminho
A ex-prefeita defendeu que Minas Gerais precisa de “capacidade de diálogo, construção de consensos e alianças amplas“. A estratégia inicial do PT no estado foi frustrada pela desistência do senador Rodrigo Pacheco (PSB), nome preferido por Lula, que optou por encerrar sua participação na vida política ao término do mandato. Marília reiterou que o caminho ideal é “liderar a construção de uma aliança ampla e competitiva”, reunindo diversas forças políticas que apoiam o governo federal, citando a eleição de 2022 de Lula como exemplo de sucesso de frentes amplas.
O Foco Irretratável no Senado
Apesar de seu nome despontar como favorito e ser considerado competitivo para encabeçar a chapa majoritária do governo, Marília Campos reforçou que sua pré-candidatura ao Senado foi construída coletivamente e aprovada pelas instâncias partidárias em janeiro deste ano. Ela renunciou ao mandato para se dedicar à campanha, destacando que essa é sua “única disponibilidade política” para a disputa de 2026. A relevância de sua candidatura ao Senado é estratégica, visando assegurar representantes da base do presidente Lula em Minas Gerais e promover um importante avanço na presença feminina em cargos majoritários.
O Cenário de Desafios do PT em Minas
A demonstração de insatisfação de Marília Campos surge enquanto a cúpula do PT avalia lançá-la como candidata ao governo, por não contar com outros nomes considerados tão competitivos quanto ela. O partido, no entanto, mantém conversas com outros pré-candidatos, como Gabriel Azevedo (MDB), ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, e Alexandre Kalil (PDT), ex-prefeito de Belo Horizonte, que tem demonstrado resistência em compor.
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Fonte: https://oglobo.globo.com