A Polícia Federal revelou detalhes de uma investigação que aponta para um “elevado grau de confiança pessoal” entre o senador Jaques Wagner (PT), líder do governo no Senado, e o empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. As evidências, que incluem mensagens, áudios e chamadas de voz interceptadas, sugerem tratativas reservadas em prol de interesses privados da instituição financeira, com a PF investigando uma possível correlação entre vantagens indevidas e a atuação parlamentar do senador.
A Proximidade Revelada nas Comunicações
Um dos diálogos cruciais destacados pela PF ocorreu quando Augusto Lima, em março de 2025, explicava a Jaques Wagner os termos da aquisição do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB). Na ocasião, o empresário afirmou ao senador: “Você mais do que ninguém sabe de minha história e faz parte disso!!”. As mensagens que embasam a investigação constam da decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou as buscas contra o parlamentar.
Outros indícios da proximidade incluem a solicitação e o envio de ingressos para camarotes, conforme um diálogo de novembro de 2023. O senador teria questionado sobre “ingressos de sábado”, e Augusto Lima prontamente enviou arquivos, posteriormente encaminhando mais dois a pedido de Jaques Wagner.
A investigação também aponta para encontros combinados, como na Ilha da Paixão, propriedade atribuída ao banqueiro. Entre outubro de 2023, Augusto Lima teria disponibilizado uma aeronave particular para o deslocamento de Jaques Wagner e sua família de Salvador à ilha, enviando o prefixo da aeronave e o horário do voo.
A prática de disponibilizar aeronaves privadas parece ser recorrente, segundo a PF. Em abril de 2024, após uma chamada de voz, teriam tratado de um deslocamento para o Rio de Janeiro, com Augusto Lima encaminhando o contato de “Breno Copiloto Banco” ao senador e, em seguida, o contato de Jaques Wagner ao piloto.
Indícios de Vantagem Indevida: A Compra de um Apartamento
As mensagens interceptadas pela Polícia Federal também conectam a dupla a uma possível transação imobiliária que a PF investiga como potencial vantagem indevida. Em novembro de 2024, Jaques Wagner enviou a Augusto Lima o contato do gerente de uma construtora em Salvador, indicando: “a unidade é a 1702 e o preço é R$ 2,45 milhões”. No dia seguinte, o senador encaminhou o livro digital do empreendimento.
Meses depois, em maio de 2025, mensagens de um dos filhos do senador teriam sido repassadas por Jaques Wagner a Augusto Lima, solicitando os dados do proprietário formal do imóvel para a emissão de um Registro de Responsabilidade Técnica (RRT). O pedido finalizava com “Consegue esses dados”. Após uma ligação telefônica entre o senador e o empresário, Augusto Lima encaminhou a Jaques Wagner o contato de David Monteiro, apontado como operador do núcleo empresarial e jurídico-financeiro associado ao Banco Master.
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Fonte: https://oglobo.globo.com