O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do PT na Câmara, formalizou uma representação junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) visando a apuração da conduta de Roberto Campos Neto. O ex-presidente do Banco Central é acusado de ‘omissão dolosa’ na fiscalização da instituição em meio às investigações envolvendo o Banco Master.
Detalhes da Acusação e Envolvimento
A iniciativa do parlamentar busca uma ‘apuração independente e completa’ sobre os possíveis responsáveis pelo escândalo financeiro. Lindbergh sugere que ‘decisões administrativas e eventuais condutas comissivas ou omissivas’ durante a gestão de Campos Neto podem ter contribuído para as irregularidades praticadas pelo Banco Master e seu proprietário, Daniel Vorcaro, recentemente detido pela Polícia Federal (PF). A representação na PGR foca na investigação da ‘omissão dolosa’ na fiscalização bancária e na verificação de indícios de que normas editadas sob sua gestão facilitaram as fraudes.
Conexões e Afastamentos no Banco Central
A investigação também abrange o envolvimento de ex-diretores do Banco Central, Paulo Souza e Belline Santana, que foram afastados de seus cargos. A decisão, proferida pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), ocorreu após suspeitas de que ambos prestavam serviços de ‘consultoria informal’ ao banqueiro, recebendo ‘vantagens indevidas’. Ambos já haviam sido afastados administrativamente pelo BC em inquérito interno sobre o Banco Master.
Atualmente, Roberto Campos Neto ocupa a posição de vice-chairman e chefe global de políticas públicas do banco Nubank. Procurada, a empresa informou que não se manifestará sobre a acusação apresentada pelo deputado.
Implicações Políticas e Alertas Ignorados
O Palácio do Planalto articula a vinculação do caso Master ao ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados, visto que Campos Neto foi indicado por Bolsonaro em 2019. A ministra Gleisi Hoffmann (PT) declarou que a operação ‘expôs definitivamente a corrupção do Banco Central de Jair Bolsonaro e Roberto Campos Neto’, citando o recebimento de dinheiro por Souza e Santana para obstruir a fiscalização. Durante a gestão de Campos Neto, o Banco Central foi reiteradamente alertado por anos sobre a expansão alarmante do Banco Master, que foi liquidado em novembro do ano passado. O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e executivos de grandes bancos brasileiros expressaram preocupação diretamente à autoridade monetária.
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Fonte: https://oglobo.globo.com