Lula Clama por Paz Mundial, Condena Corrida Armamentista e Critica Atuação da ONU

© Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um enfático apelo, nesta quarta-feira (4), para que líderes globais priorizem a paz e o combate à fome, em detrimento dos vultosos gastos com armamentos e conflitos. A declaração foi feita durante a abertura da 39ª Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para a América Latina e o Caribe.

Fome Zero: Uma Questão de Prioridade, Não de Recursos

Lula destacou o custo-oportunidade da corrida armamentista, apontando que os US$ 2,7 trilhões gastos globalmente em armamentos e conflitos no ano passado poderiam ter distribuído US$ 4.285 para cada um dos 630 milhões de indivíduos que enfrentam a fome no planeta. “Vocês percebem que não precisaria ter fome no mundo se houvesse o bom senso dos governantes?”, questionou o presidente.

O presidente enfatizou que a América Latina e o Caribe representam uma “única zona de paz no mundo” e reiterou o compromisso brasileiro com a não proliferação, mencionando a proibição de armas nucleares na Constituição. “Nós queremos paz porque a paz é a única possibilidade de fazer com que a humanidade avance”, afirmou.

Crítica ao Conselho de Segurança da ONU e Gastos Militares

Em sua intervenção, Lula dirigiu um apelo direto aos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU – França, Inglaterra, Rússia, China e Estados Unidos – para que priorizem a questão da fome em vez de discutir o fortalecimento de armamentos. Ele expressou preocupação com a lógica de investimentos em defesa que alimentam a escalada de conflitos, como o desejo por “mais armas, mais bomba atômica, mais drone”.

Segundo Lula, esses investimentos não são voltados para a produção de alimentos, mas sim para a destruição e a diminuição da capacidade produtiva ou para aniquilar o que já está cultivado.

Reconstrução de Gaza e Irresponsabilidade

O presidente também criticou a iniciativa do governo estadunidense de Donald Trump de criar um “Conselho de Paz” para a reconstrução da Faixa de Gaza. Lula questionou a moralidade de destruir a região, matando mulheres e crianças, para depois se apresentar com a proposta de reconstrução, comparando a iniciativa a um “resort” em um local de tragédia. Ele atribuiu a persistência da fome mundial a um “excesso de irresponsabilidade” por parte dos líderes eleitos.

Descredibilização da ONU e a Busca pela Paz

Ao final de sua fala, Lula reconheceu o papel da FAO, mas não poupou críticas à Organização das Nações Unidas (ONU). Ele afirmou que a ONU está “desacreditada” e não cumpre sua carta de criação de 1945, cedendo “ao fatalismo dos senhores das guerras” em vez de promover a paz. O presidente questionou a falta de convocação de uma conferência mundial pela ONU para debater os conflitos globais.

Lula concluiu seu discurso criticando a retórica militarista, mencionando a declaração de ex-presidentes sobre o maior exército do mundo, e argumentou que seria muito mais positivo se a ênfase fosse na capacidade de produção e distribuição de alimentos. “Não era muito mais simples? E soaria melhor aos nossos ouvidos”, finalizou.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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