Moradores de Havana descrevem a situação atual de Cuba como o “pior momento” vivido pela nação caribenha. A deterioração do cenário se acentuou após o endurecimento do bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos (EUA) a partir do final de janeiro, resultando em severas dificuldades para a população.
Agravamento da Crise e Seus Impactos Diários
A medida, adotada pelo governo Donald Trump, classificou Cuba como “ameaça incomum e extraordinária” à segurança dos EUA, justificando a restrição à venda de petróleo ao país. Essa ação desencadeou uma série de problemas, incluindo o aumento drástico dos apagões, a elevação dos preços de produtos básicos, a redução do transporte público e a diminuição da oferta da cesta básica alimentar subsidiada pelo Estado.
Apagões Imprevisíveis e a Vida Cotidiana
A arquiteta Ivón B. Rivas Martinez, de 40 anos, mãe solo, relatou à Agência Brasil que os apagões em Havana, antes programados, tornaram-se imprevisíveis e de maior duração. “Hoje houve 12 horas de apagão”, exemplificou, sublinhando a falta de previsibilidade que agora permeia o cotidiano. A crise energética é ainda mais crítica nas províncias do interior da ilha, onde a falta de eletricidade pode persistir por quase o dia todo, comprometendo a conservação de alimentos e as atividades essenciais.
Paralisação de Serviços e Disparada de Preços
Os apagões afetam diretamente a prestação de todos os serviços em Havana, desde o fornecimento de água (pela paralisação das bombas) até a disponibilidade de telefonia e internet. Serviços bancários e legais também são impactados, com caixas eletrônicos e cartórios inoperantes. Além disso, o embargo energético intensificou a aceleração dos preços de itens fundamentais como arroz, óleo e carne de frango, essenciais para a dieta cubana.
Um Cenário Pior Que o “Período Especial”
O economista cubano aposentado Feliz Jorge Thompson Brown, de 71 anos, que vivenciou a Revolução de 1959, avalia o momento atual como o mais desafiador na história de Cuba, superando até mesmo o “período especial” da década de 1990. Naquela época, a queda do bloco socialista e da União Soviética privou Cuba de seus principais parceiros comerciais. Feliz Jorge descreve a situação como “mais cruel e severa” tanto material quanto espiritualmente.
Ele argumenta que, diferentemente da década de 1990, a juventude atual não tem a mesma vivência dos avanços sociais da Cuba revolucionária, gerando maior incerteza. Adicionalmente, o Estado demonstrou uma capacidade reduzida em comparação ao “período especial” para fornecer a cesta básica de alimentos subsidiada, agravando ainda mais a vulnerabilidade da população.
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