A Dívida Pública Federal (DPF) registrou uma leve elevação de 0,07% em janeiro, alcançando R$ 8,641 trilhões, conforme dados divulgados pelo Tesouro Nacional. Mesmo com um volume expressivo de vencimentos de papéis prefixados, a influência dos juros altos impediu uma redução mais significativa. O indicador ultrapassou a marca de R$ 8 trilhões em agosto do ano anterior, e o Plano Anual de Financiamento (PAF) projeta que o estoque da DPF possa variar entre R$ 9,3 trilhões e R$ 10,3 trilhões até o final de 2026.
Dinâmica da Dívida Interna e Externa
A Dívida Pública Mobiliária Interna (DPMFi) avançou 0,26%, atingindo R$ 8,33 trilhões em janeiro. O Tesouro Nacional efetuou um resgate líquido de R$ 67,02 bilhões em títulos, com foco em papéis vinculados à Taxa Selic. Contudo, esse resgate foi compensado pela apropriação de R$ 88,53 bilhões em juros, um mecanismo onde o governo reconhece a correção mensal dos juros sobre os títulos. Com a Taxa Selic a 15% ao ano, a apropriação de juros exerce uma pressão considerável sobre o endividamento governamental. As emissões da DPMFi totalizaram R$ 145,87 bilhões, mas os resgates somaram R$ 212,89 bilhões devido ao alto volume de vencimentos de títulos prefixados, que são característicos do início de cada trimestre.
Em contraste, a Dívida Pública Federal externa (DPFe) apresentou uma queda de 4,75%, situando-se em R$ 310,59 bilhões. A principal causa para essa redução foi o recuo de 4,95% do dólar no mês, impulsionado por um ambiente de menor tensão no mercado financeiro.
Colchão de Liquidez e Vencimentos Futuros
Pelo segundo mês consecutivo, o colchão da dívida pública — a reserva financeira utilizada em momentos de turbulência ou concentração de vencimentos — diminuiu, passando de R$ 1,187 trilhão para R$ 1,085 trilhão. O principal fator, segundo o Tesouro Nacional, foi o resgate líquido de títulos no período. Atualmente, essa reserva cobre 6,77 meses de vencimentos, o menor prazo desde março do ano anterior. A previsão para os próximos 12 meses inclui o vencimento de R$ 1,424 trilhão em títulos federais, mas a expectativa é de aumento das reservas nos meses seguintes devido a um volume menor de vencimentos.
Composição e Estrutura dos Detentores
A composição da DPF apresentou variações em janeiro, reflexo do expressivo vencimento de títulos prefixados. A parcela de títulos vinculados à Selic aumentou de 48,25% para 49,42%, e os corrigidos pela inflação subiram de 25,93% para 26,35%. Em contrapartida, os títulos prefixados diminuíram de 22,05% para 20,65%, e os vinculados ao câmbio recuaram de 3,76% para 3,58%. O Plano Anual de Financiamento (PAF) estabelece intervalos para a composição dos títulos até o final do ano. Enquanto os papéis prefixados oferecem previsibilidade, suas emissões são sensíveis à instabilidade do mercado financeiro. Já os títulos vinculados à Selic atraem os investidores devido aos patamares elevados dos juros básicos da economia.
Prazo Médio e Detentores da Dívida Interna
O prazo médio da DPF oscilou de 4 para 4,03 anos, um indicador da confiança dos investidores na capacidade do governo de cumprir suas obrigações. Em relação aos detentores da Dívida Pública Federal interna, as instituições financeiras representam 31,92% do estoque, seguidas por fundos de pensão (22,66%) e fundos de investimentos (21,36%). A participação de não-residentes (estrangeiros) subiu para 10,69% em janeiro, refletindo uma redução das tensões no mercado financeiro, vindo de 10,35% em dezembro.
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