Alesp Inicia Processo Disciplinar que Pode Levar à Cassação de Lucas Bove

O deputado estadual de São Paulo Lucas Bove (PL) — Foto: Rodrigo Romeo/Alesp

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) aprovou a abertura de um processo disciplinar contra o deputado Lucas Bove (PL). A medida, que tem o potencial de levar à cassação de mandato do parlamentar, fundamenta-se em uma representação apresentada pela deputada Mônica Seixas (PSOL). As acusações são de agressões de gênero e agressões verbais, ocorridas durante discussões no plenário da Casa.

O Incidente no Plenário e as Acusações

O episódio central da denúncia ocorreu quando Lucas Bove se dirigiu à deputada Professora Bebel (PT) com o dedo em riste. Ao ser questionado por Mônica Seixas sobre sua postura, Bove elevou o tom de voz e bateu na mesa, proferindo as seguintes palavras: “Eu falo com a mão do jeito que eu quiser, não vem encher o meu saco, vai trabalhar, vai trabalhar! Eu não respeito você, eu não respeito você, eu não abaixo não, eu falo no tom que eu quiser, não se mete na conversa dos outros. Vem fazer graça aqui comigo, me chama de agressor, vai fazer graça para lá”. A sessão foi suspensa e a transmissão televisiva interrompida naquele momento.

Aprovação Unânime e Histórico Judicial

A abertura do processo disciplinar obteve aprovação unânime dos deputados membros do Conselho de Ética. Votaram favoravelmente: Emídio de Souza (PT), Eduardo Nóbrega (Podemos), Rafael Saraiva (União), Paula da Bancada Feminista (PSOL) e Delegado Olim (PP). O deputado Emídio de Souza foi designado como relator do caso. É relevante mencionar que Bove figura como réu na Justiça por violência doméstica, em processo movido por sua ex-mulher, Cíntia Chagas, embora este último caso não tenha sido apreciado nas representações apresentadas na Alesp.

Próximos Estágios do Processo e Defesa do Deputado

As próximas etapas do processo disciplinar envolvem a oitiva de testemunhas e a apresentação de defesa formal por parte de Lucas Bove. Concluída essa fase, o Conselho de Ética emitirá um parecer sobre a sanção aplicável, que posteriormente será votada em Plenário. As possíveis penalidades incluem advertência, suspensão temporária do mandato ou, na instância mais grave, a cassação.

Em nota divulgada, o deputado Lucas Bove defendeu-se, alegando que a denúncia resulta de uma “discussão acalorada em plenário, corriqueira na política e sem qualquer tipo de violência”. Ele interpretou o processo como uma “perseguição política” direcionada a “parlamentares bolsonaristas”, apontando que sua própria representação contra Mônica Seixas, por tê-lo chamado de imbecil em plenário, foi arquivada na mesma sessão. Bove criticou o que descreveu como “dois pesos e duas medidas” e sugeriu que o momento da abertura do processo é estrategicamente orquestrado para coincidir com o início do ano eleitoral.

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Fonte: https://oglobo.globo.com

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