Lula Propõe Governança Global da IA via Instituição Multilateral

© Ricardo StuckertPR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que a regulação da Inteligência Artificial (IA) seja conduzida por uma instituição multilateral com o porte da Organização das Nações Unidas (ONU). A proposta, anunciada durante sua viagem à Índia, visa assegurar que os benefícios da IA se estendam a toda a sociedade, evitando a concentração de poder e controle por poucos detentores.

A Urgência da Regulação Multilateral da <b>IA</b>

Em entrevista ao programa India Today, Lula reforçou a necessidade de uma regulação robusta para a Inteligência Artificial. Ele enfatizou que essa governança deve ser estabelecida por um organismo com a abrangência da ONU, protegendo especialmente grupos vulneráveis como crianças, adolescentes e mulheres, para prevenir o uso da IA em ações que causem danos ou violência. O presidente alertou sobre os riscos significativos de aplicações negativas da IA, que podem invadir a vida íntima das pessoas e incitar a violência.

Lula criticou a postura de alguns grandes proprietários de plataformas que resistem à regulamentação, argumentando que a falta de controle seria prejudicial para a humanidade, mesmo que lucrativa para indivíduos específicos. Para ele, a Inteligência Artificial é uma ferramenta fundamental, mas seu potencial transformador só será plenamente realizado se estiver a serviço da sociedade civil, elevando os padrões de vida em áreas como saúde e educação, impulsionando o crescimento dos países e melhorando os serviços públicos e privados.

O <b>Brics</b> e a Reconfiguração Geopolítica Global

Abordando as perspectivas para o futuro do Brics, o presidente Lula classificou o bloco como uma das criações mais importantes das últimas três décadas. Ele comparou o Brics a outros agrupamentos como o G7, focado nos países mais ricos, e o G20, formado após a crise financeira de 2008, posicionando o Brics como o representante primordial do Sul Global.

O Sul Global, conforme ressaltado por Lula, possui uma força demográfica significativa, com países como Índia e China, que juntos somam quase metade da população mundial. O presidente enfatizou a ‘nova abordagem institucional’ do Brics, que busca inovar e se adaptar às necessidades do século XXI, distanciando-se de modelos do século XX, como os do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial. Ele expressou a esperança de que o bloco se fortaleça e tome decisões estratégicas.

Criado em 2009, o Brics originalmente incluía Brasil, Rússia, Índia e China. Em 2011, a África do Sul aderiu ao grupo. Em 2024, novos membros foram admitidos: Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã, expandindo consideravelmente sua representatividade geopolítica.

<b>Desdolarização</b> e Comércio em Moedas Locais

Em relação à iniciativa de reduzir a dependência do dólar norte-americano nas transações comerciais do bloco, Lula defendeu o direito dos países de escolherem suas próprias formas de comércio. Ele argumentou que acordos comerciais bilaterais, como entre Brasil e Índia, não precisam ser necessariamente feitos em dólares, e que o uso de moedas locais é uma alternativa viável, embora desafiadora.

O presidente reconheceu que a criação de um novo sistema financeiro não ocorre da noite para o dia e exige considerar as especificidades de cada nação. Ele citou a experiência de seu primeiro mandato, quando foi estabelecido um mecanismo com a Argentina para a compra e venda de pequenas empresas utilizando as moedas brasileira e argentina, destacando que esse processo deve ser progressivo e vantajoso para os países envolvidos.

Relação com os <b>Estados Unidos</b>

Lula reiterou a existência de um bom relacionamento com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ele manifestou a disposição de dialogar sobre temas de interesse mútuo, incluindo parcerias estratégicas para a exploração de minerais críticos em território brasileiro, que são cruciais para a transição energética global. O presidente também compartilhou suas percepções pessoais sobre o líder americano.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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