O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), atribui ao presidente Lula a iniciativa da Polícia Federal (PF) de entregar um extenso relatório ao presidente da Corte, Edson Fachin. Este documento detalha as conexões de Toffoli com Daniel Vorcaro, empresário investigado no Caso Master, do qual o ministro foi obrigado a deixar a relatoria por pressão dos colegas. Segundo interlocutores, Toffoli está convicto de que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, agiu sob ordens de Lula.
A Desconfiança de Toffoli e o Papel da PF
O ministro Dias Toffoli tem afirmado a aliados que o envio direto do dossiê de quase 200 páginas, contendo registros de ligações, mensagens e transações envolvendo-o, diretamente ao STF, não ocorreria sem a autorização do presidente Lula. A alegação é que Andrei Rodrigues, que chefiou a segurança de Lula em 2022, elaborou o relatório para satisfazer o petista, que, nos bastidores, tem criticado a atuação de Toffoli no inquérito do Banco Master.
Um fator que intensificou a desconfiança de Toffoli foi a reunião de Lula com o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, horas antes de sua saída da relatoria do processo. Na ocasião, Lula teria cobrado uma apuração rigorosa das fraudes do banco de Vorcaro. Como PGR, Gonet possui a prerrogativa de apresentar um pedido de suspeição contra o ministro.
A Origem da 'Mágoa Antiga' na Lava-Jato
Para Toffoli, um dos principais motivos para a suposta intervenção de Lula reside em uma ‘mágoa antiga’ que remonta a 2019, durante a operação Lava-Jato. O ministro acredita que o petista busca vingança, mesmo após uma reconciliação entre ambos no final de 2024, que encerrou um período de seis anos de distanciamento.
O Episódio do Funeral do Irmão de Lula
O episódio central da ‘mágoa’ teria ocorrido quando Lula estava preso em Curitiba e solicitou autorização para comparecer ao funeral de seu irmão, Genivaldo Inácio da Silva, conhecido como Vavá. O pedido foi inicialmente negado nas instâncias inferiores. A decisão final, em recurso ao STF, coube a Toffoli, que presidia a Corte e estava de plantão durante o recesso do Judiciário.
Toffoli deliberou sobre o pleito apenas no dia seguinte, minutos antes do horário do enterro de Vavá em São Bernardo do Campo (SP), a mais de 400 quilômetros de onde Lula estava detido. Além disso, o ministro impôs a condição de que Lula só poderia encontrar a família em um quartel militar, para onde o corpo do irmão deveria ser levado. Diante dessas condições, Lula desistiu de viajar. A decisão gerou fortes críticas de aliados do petista, que compararam a situação com a autorização da ditadura militar para que Lula comparecesse ao enterro da mãe, Dona Lindu, em 1980.
Um mês depois, a Justiça Federal do Paraná autorizou Lula a comparecer ao enterro de seu neto, Arthur Lula da Silva, sem a necessidade de recorrer ao Supremo, demonstrando um contraste nas decisões judiciais.
A Aproximação com Bolsonaro e Novas Tensões
Outro fator que contribuiu para o distanciamento e a dificuldade de Lula e do Partido dos Trabalhadores (PT) em digerir a postura de Toffoli foi sua aproximação com Jair Bolsonaro. Às vésperas do primeiro turno da eleição de 2018, Toffoli declarou que passaria a se referir ao golpe militar de 1964 como ‘movimento de 1964’. À frente do STF, o ministro elogiou diversas vezes o então presidente, com quem confraternizou em sua residência e trocou abraços efusivos.
Apesar da reconciliação de final de 2024, as atuais acusações de Toffoli sobre a atuação da PF sob suposta influência de Lula reacendem as tensões e evidenciam a complexa teia de relações políticas e judiciais no cenário nacional.
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Fonte: https://oglobo.globo.com