Acadêmicos de Niterói: Ensaio com Memes de Bolsonaro Inflama a Direita e Gera Reações Políticas

Acadêmicos de Niterói terá enredo sobre Lula na Sapucaí — Foto: Ricardo Stuckert/PR e João...

O ensaio técnico da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que terá como enredo uma homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), provocou intensa reação de parlamentares da direita. As críticas surgiram após a exibição de imagens irônicas com referências ao ex-presidente Jair Bolsonaro em telões na Marquês de Sapucaí, gerando um debate acalorado sobre os limites da expressão artística no Carnaval e o uso de figuras políticas em eventos culturais.

A Polêmica dos Memes e as Manifestações da Direita

A controvérsia central reside nas projeções que mesclaram memes, frases e montagens com a imagem de Bolsonaro. Estas dialogavam com o samba-enredo da agremiação, que inclui o verso “sem mitos falsos, sem anistia”, uma clara alusão aos pedidos de anistia para Bolsonaro e os envolvidos nos eventos de 8 de janeiro de 2023.

As Vozes dos Parlamentares da Direita

O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) repudiou o ensaio em suas redes sociais, associando-o a questões como a Lei Rouanet e o sistema prisional. Ele caracterizou o evento como uma ocorrência ‘sem novidades no chamado carnaval brasileiro’, sugerindo que tais manifestações seriam esperadas no contexto atual.

Em São Paulo, o deputado estadual Gil Diniz (PL) protocolou uma denúncia junto ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) contra a escola. Diniz classificou o desfile como um “ataque político”, descrevendo as imagens contra Bolsonaro como “ofensivas, humilhantes” e contendo “apologia à violência”. Ele argumentou que a liberdade artística não deve ser uma “licença para linchamento público” ou “propaganda política mal disfarçada”, transformando a festa popular em um “palanque ideológico”.

O deputado federal General Pazuello (PL-RJ) alinhou-se às críticas, afirmando que a exibição “não é arte”, mas sim “militância disfarçada”. Ele defendeu que o Carnaval deve ser um espaço de expressão artística, não de plataforma política para atacar um governo ou exaltar outro, argumentando que o “povo conhece a verdade” sobre quem “enfrentou o sistema”.

Do Rio Grande do Sul, o deputado estadual Delegado Zucco (PL) considerou o ato da Acadêmicos de Niterói um “ataque desumano” e uma “campanha antecipada escancarada”, especialmente em um ano eleitoral. Para ele, trata-se de um “projeto ideológico claro” visando descredibilizar Bolsonaro e sustentar uma narrativa política específica.

Debate sobre Financiamento Público e Ações Legais

A discussão sobre o ensaio se estendeu ao financiamento público da escola de samba. Zucco mencionou os recursos que a agremiação recebe. Um termo de cooperação técnica firmado entre a Embratur e a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) destinou R$ 12 milhões às doze escolas do Grupo Especial do Carnaval fluminense, gerando questionamentos sobre a utilização desses valores.

Este repasse de verbas já era alvo de controvérsia. O deputado federal Kim Kataguiri (MBL-SP) ajuizou uma ação popular buscando a suspensão imediata do repasse de R$ 1 milhão para a escola niteroiense. Ele alegou que os recursos poderiam ser indevidamente utilizados para promover a imagem de Lula, pré-candidato à reeleição, solicitando o bloqueio de novos valores e a devolução dos já transferidos.

O Enredo da Acadêmicos de Niterói e as Imagens Controvertidas

A Acadêmicos de Niterói estreará no Grupo Especial como a primeira a desfilar no domingo de Carnaval. Seu enredo, intitulado “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, traça a biografia de Luiz Inácio Lula da Silva, desde sua infância em Garanhuns (PE) até seus mandatos presidenciais, passando pela trajetória de metalúrgico e líder sindical. Nomes como a atriz Juliana Baroni, interpretando Marisa Letícia, e a primeira-dama Janja já estão confirmados no desfile.

Entre as montagens exibidas que causaram indignação, destacam-se imagens de Bolsonaro com uma roupa similar à de presidiário, abraçado à deputada federal Carla Zambelli, com a frase “Menino veste azul e menina veste rosa”, ambos vestindo as cores mencionadas. Outras projeções de teor crítico e jocoso também foram apresentadas durante o ensaio, acentuando a polarização.

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Fonte: https://oglobo.globo.com

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