A 11ª Marcha das Mulheres Negras de São Paulo, realizada neste sábado (25) na Praça Roosevelt, relembrou a morte brutal de Luana Barbosa, uma mulher lésbica, negra e periférica, ocorrida há dez anos. Até o momento, nenhum envolvido foi preso ou condenado pelo crime, evidenciando a persistente busca por justiça.
O evento mobilizou centenas de participantes de diversas cidades e bairros paulistanos, unindo lideranças políticas, feministas, religiosas, artistas e representantes de movimentos da comunidade negra em um clamor por direitos e reparação.
Juliana Gonçalves, cofundadora da marcha, ressaltou a continuidade da violência: “Dez anos se passaram e muitas Luanas Barbosas seguem morrendo, como a gente viu o caso da Ieda e da Fabiana, duas mulheres negras e lésbicas que foram mortas em São Paulo”. Luana Barbosa foi agredida por policiais militares em 2016. A cofundadora enfatizou que a população negra é negligenciada, lutando por direitos, reparação e o bem viver, pois o Estado brasileiro possui uma dívida histórica com essas mulheres que sustentam a economia com trabalho de cuidado não reconhecido.
Expressões Culturais e Ancestralidade Marcam o Evento
A abertura oficial da Marcha contou com uma performance do coletivo Bando das Macuas, que apresentou um trabalho focado na ancestralidade. Francine Moura, uma das integrantes, explicou que a inspiração vem do povo Macuas, de Moçambique, e a apresentação reverenciou figuras ancestrais e as mulheres unidas na Marcha.
Durante o evento, duas DJs animaram a Praça Roosevelt com rap e hip hop, cujas letras abordavam temas de protesto e denúncia social.
A Voz da Fé na Luta por Direitos
Mulheres ligadas a religiões de matriz africana também marcaram presença, reforçando a importância da fé na resistência. Ìyalóde Marisa de Oya criticou a hipocrisia de um país que se diz laico, mas permite a violência e a intolerância religiosa contra o povo negro: “Este é um país que a gente ajudou a construir. Precisamos mostrar que este povo está aí largado, sofrendo violência, apanhando, que não tem um lugar de fala dentro do governo.
Lideranças da Rede de Mulheres Negras Evangélicas, grupo atuante desde 2018, também subiram ao palco, ampliando a diversidade de vozes religiosas na Marcha.
A Marcha se Estende por Outras Capitais
A mobilização da Marcha das Mulheres Negras não se limitou a São Paulo. Caminhadas e encontros semelhantes ocorreram em Salvador (BA) e Recife (PE), demonstrando a amplitude nacional da luta por direitos e justiça.
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